PSOL entra com quarta representação contra Renan no conselho
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PSOL ingressou hoje com nova representação na Mesa Diretora do Senado com pedido de investigação sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O partido cobra do Conselho de Ética apuração das denúncias reveladas pelo advogado Bruno Lins, de que Renan participaria de esquema de desvio e lavagem de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB.
Se for acatada pela Mesa, a representação se transformará no quarto processo contra o presidente do Senado no Conselho de Ética. O PSOL pediu inicialmente que o conselho incluísse as nova denúncias no processo que investiga a suposta atuação de Renan para beneficiar a empresa Schincariol junto ao INSS.
O relator do processo, senador João Pedro (PT-AM), negou o pedido porque argumenta que não teria condições de incluir as novas denúncias no caso porque já deu início às investigações. Sem ter o pedido atendido pelo Conselho de Ética, o PSOL optou pela nova representação.
No texto, o partido afirma que as novas denúncias trazem "contundentes indícios da possibilidade de prática de ilícitos" pelo senador Renan. "Ele, usando de sua condição de senador da República, poderia ter atuado como intermediário de interesses provados junto a órgãos públicos federal. Por tal, há o direito-dever do Senado, através do seu Conselho de Ética, da verificação extensa e completa dos fatos", argumenta o partido.
O PSOL cobra, na representação, que o conselho instaure processo disciplinar para a apuração das denúncias. O partido pede que Renan seja ouvido para se explicar das acusações, assim como todos os supostas envolvidos no episódio possam apresentar suas versões dos fatos.
Bruno Lins acusa o seu ex-sogro, o lobista Luiz Garcia Coelho, de operar para diversos políticos do PMDB, entre os quais Renan, com recursos desviados de ministérios. Coelho é pai de uma funcionária que trabalha no gabinete de Renan --ela é ex-mulher de Lins. O advogado prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal para revelar as denúncias no ano passado, em meio à sua separação litigiosa.
Flavia Garcia, ex-mulher do advogado, nega as acusações. Segundo a funcionária de Renan, seu ex-marido envolveu o presidente do Senado em uma briga familiar provocada pela seu divórcio litigioso. O suposto esquema de arrecadação ilegal de recursos também teria a participação do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT).
O PSOL, no entanto, não incluiu Jucá na representação apresentada à Mesa Diretora do Senado. "O rapaz não apresentou provas contra esse outro senador. Se ele apresentar, nós pediremos abertura de processo. Nós não estamos aqui para acobertar ninguém", disse a presidente do PSOL, Heloísa Helena (AL).
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