Brasil
10/09/2007 - 12h59

Oposição e governo negam que "traições" vão definir caso Renan

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Líderes do governo e da oposição apostam que eventuais "traições" nas bancadas partidárias não vão definir o futuro político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na votação do processo por quebra de decoro contra o presidente do Senado, marcada para quarta-feira. Renan é acusado de usar recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.

Aliados de Renan apostam que votos do PT e as esperadas "traições" no DEM e no PSDB vão ter impacto decisivo na votação do processo de cassação do peemedebista. O grupo pró-Renan admite que atualmente o quadro em favor do presidente do Senado é muito apertado. Por isso, estão em busca de votos de petistas indecisos e oposicionistas que podem absolver o senador mesmo indo contra as orientações partidárias.

Mas a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do PT no Senado, não considera que o partido será o "fiel da balança" para definir o destino de Renan --já que a bancada da legenda está dividida sobre a absolvição do parlamentar.

"Os únicos partidos que vão votar unidos são aqueles que só têm um senador. Todos os demais terão votos divididos. Então, eu só tenho a lastimar que coloquem essa responsabilidade sobre o PT", afirmou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), acredita que as "traições" serão registradas em todas as bancadas --por isso o DEM e o PSDB não podem ser apontados como eventuais responsáveis pela cassação ou absolvição do presidente do Senado.

"O que vai haver são defecções no PMDB, no PT, e no DEM talvez existam, o que eu não asseguro. O Senado é que está em jogo, essa não é uma disputa entre governo e oposição", defendeu.

Na opinião de Agripino, a opinião pública vai cobrar explicações concretas do Senado se Renan for absolvido independentemente de quem votar contra ou a favor da permanência do senador na Casa.

"As pessoas não vão saber distinguir quem votou contra ou a favor. A população quer um desfecho que a convença. Se o Senado absolver o senador Renan, a instituição será condenada", avaliou.

Especulações

Os aliados de Renan esperam que até seis deputados petistas, da bancada de 12 senadores, votem pela cassação de Renan. Alguns desses, que ainda não teriam definido os votos pela perda do mandato, podem mudar de lado na avaliação do grupo pró-Renan.

Os peemedebistas acreditam que pelo menos sete dos 17 senadores do DEM votem a favor de Renan, assim como contam com o apoio velado de três tucanos em prol do presidente do Senado.

Por outro lado, o próprio PMDB sabe que não vai conseguir garantir a unidade dos senadores pela absolvição de Renan. Com a maior bancada da Casa, formada por 19 parlamentares, alguns já deram claros sinais de que votarão pela cassação do colega de partido.

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Comentários dos leitores
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
SALVADOR / BA
BARSÍLIA CONSEGUE SER PALCO DOS CRIMES PERFEITOS, CONTRARIANDO AS TESES. É UMA VERGONHA. VOTAR É OBRIGATÓRIO, MAS JULGAR PODRES POLÍTICOS TEM QUE SER SECRETO E A MARGEM DA OPINIÃO PÚBLICA. ONDE IREMOS PARAR? O QUE MAIS VAMOS ENGOLIR? O BRASILEIRO É MUITO PACIENTE, OU SERIA INCONSCIENTE? MEUS FILHOS AINDA VÃO SOFRER MUITO. sem opinião
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Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
GUARUJA / SP
Enquanto a impunidade reinar neste país, servindo de alicerde para todo tipo de imoralidade e de corrupção, esse tipo de conduta e desrespeito dos maus políticos ao cidadão brasileiro, será sempre uma rotina, que na gíria seria definido como "tipo" é "normal".
A que ponto chegamos....
77 opiniões
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Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Boa Tarde, Sr. Marco Carneiro, 24/02-11h02 - Quanto a questão que o senhor coloca na conclusão de vosso comentário, ó senhor mesmo coloca a resposta no seu teor. Supostamente, só pode mesmo ser pela GRANA que envolve cada ministério ou cada empresa estatal que tudo fazem para que partidários exerçam suas funções na administração dos mesmos. Um dos partidos que mudou de rumo e para pior, foi o PMDB, que já teve em suas fileiras, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, entre outros e que daquele tempo de MDB, restam muitos poucos, como Pedro Simom, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa. Este PMDB, dava a alma em defesa dos interesses nacionais e não queriam nada por isso, entretanto de uns tempos para cá, só sabem e exigir vantagens para votar em projetos de interesse do Governo. Pelo que o senhor escreve, pensamos a mesma coisa nesse aspécto de indoneidade na política. Eu tenho uma opinião, em que encontrei adeptos e opositores, mas, julgo importante, de que, através de contato numa rede ou por e-mails, juntássemos forças para colocar em prática o que pensamos, quanto a políticos corruptos. A imprensa está fazendo sua parte, mas na hora H, não irá querer divulgar nomes e isso cabe a nós fazê-lo, para que possamos evitar a reeleição de muitos desses que se apoderam de recursos públicos.
Muito Grato por vossa opinião.
Bom final de domingo Sr. Marco.
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