Brasil
12/09/2007 - 16h14

Parlamentares entram e saem do plenário e quebram sigilo de sessão secreta

RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Os parlamentares estão "driblando" as medidas de segurança da sessão secreta que analisa o projeto que pede a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e revelando detalhes da reunião. Em tese, nada do que acontece dentro da reunião deveria ser conhecido do lado de fora do plenário do Senado.

O "vazamento" começa pelo grupo de 13 deputados que conseguiu no STF (Supremo Tribunal Federal) o direito de acompanhar a sessão. O regimento interno do Senado define punições para os senadores que vazam informações da sessão secreta --como censura e até suspensão de mandato. Mas essas regras não se aplicam aos deputados.

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O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) disse que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acusou a defesa de Renan de ter sido "burra" em suas argumentações em favor do peemedebista.

Ofendido, Renan pediu a palavra para cobrar explicações sobre as acusações de Demóstenes --que pediu desculpas a Renan, mas disse que apenas usou um termo popular para comentar a sua defesa.

Na tentativa de desfazer o mal estar, Demóstenes substituiu a expressão "burra" por "menos inteligente" ao referir-se à defesa de Renan.

Outros deputados que não estão dentro do grupo de 13 beneficiados pela decisão do STF também entraram na sessão secreta e contaram como a sessão se desenrola. Esse é o caso de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), que saiu do plenário e disse que o clima é favorável a Renan. "A impressão, não só minha, mas de outros que estão lá [no plenário], é que ele [Renan] vai se salvar, vai se safar", afirmou.

De acordo com Paulinho, Renan está sentado do lado esquerdo do plenário, na primeira fileira de cadeiras, destinada ao Estado de Alagoas. Ele disse que os senadores evitam passar perto do local onde está o peemedebista.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que conquistou o direito de acompanhar a sessão secreta, saiu da reunião e fez um longo relato sobre o que acontece lá dentro.

O deputado Barbosa Neto (PDT-PR) afirmou que Renan demonstra tranqüilidade e confiança. No início da sessão, o peemedebista circulou pelo plenário, conversou com os colegas e trocou sorrisos.

A sessão, segundo os deputados, é marcada por um silêncio respeitoso. Não há conversas paralelas nem comentários em voz alta. Os senadores ouvem cada colega que pede a palavra.

Os senadores também não cumprem ao pé da letra as regras de sigilo. Discretamente, senadores deixam o plenário da sessão e também fazem revelações sobre o que ocorre no local. As revelações são feitas entre o caminho do plenário e o restaurante do Senado.

Para evitar o vazamento de informações, o Senado tomou uma série de medidas para garantir o sigilo da sessão, como a proibição dos senadores de utilizarem laptops e a recomendação para não fazerem chamadas de seus celulares. Nada disso impede que os parlamentares circulem pela Casa e revelem o que ocorre do lado de dentro do plenário.

Renan é acusado de ter utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como aluguel e pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

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Comentários dos leitores
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
SALVADOR / BA
BARSÍLIA CONSEGUE SER PALCO DOS CRIMES PERFEITOS, CONTRARIANDO AS TESES. É UMA VERGONHA. VOTAR É OBRIGATÓRIO, MAS JULGAR PODRES POLÍTICOS TEM QUE SER SECRETO E A MARGEM DA OPINIÃO PÚBLICA. ONDE IREMOS PARAR? O QUE MAIS VAMOS ENGOLIR? O BRASILEIRO É MUITO PACIENTE, OU SERIA INCONSCIENTE? MEUS FILHOS AINDA VÃO SOFRER MUITO. sem opinião
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Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
GUARUJA / SP
Enquanto a impunidade reinar neste país, servindo de alicerde para todo tipo de imoralidade e de corrupção, esse tipo de conduta e desrespeito dos maus políticos ao cidadão brasileiro, será sempre uma rotina, que na gíria seria definido como "tipo" é "normal".
A que ponto chegamos....
77 opiniões
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Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Boa Tarde, Sr. Marco Carneiro, 24/02-11h02 - Quanto a questão que o senhor coloca na conclusão de vosso comentário, ó senhor mesmo coloca a resposta no seu teor. Supostamente, só pode mesmo ser pela GRANA que envolve cada ministério ou cada empresa estatal que tudo fazem para que partidários exerçam suas funções na administração dos mesmos. Um dos partidos que mudou de rumo e para pior, foi o PMDB, que já teve em suas fileiras, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, entre outros e que daquele tempo de MDB, restam muitos poucos, como Pedro Simom, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa. Este PMDB, dava a alma em defesa dos interesses nacionais e não queriam nada por isso, entretanto de uns tempos para cá, só sabem e exigir vantagens para votar em projetos de interesse do Governo. Pelo que o senhor escreve, pensamos a mesma coisa nesse aspécto de indoneidade na política. Eu tenho uma opinião, em que encontrei adeptos e opositores, mas, julgo importante, de que, através de contato numa rede ou por e-mails, juntássemos forças para colocar em prática o que pensamos, quanto a políticos corruptos. A imprensa está fazendo sua parte, mas na hora H, não irá querer divulgar nomes e isso cabe a nós fazê-lo, para que possamos evitar a reeleição de muitos desses que se apoderam de recursos públicos.
Muito Grato por vossa opinião.
Bom final de domingo Sr. Marco.
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