Renan diz que absolvição é vitória da democracia; senador pode se licenciar
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido hoje no plenário do Senado no processo que pedia sua cassação por quebra de decoro. Ao final da votação secreta, Renan recebeu 40 votos favoráveis, 35 pela cassação e 6 abstenções. São necessários 41 votos para cassar o mandato de um senador.
| Ueslei Marcelino /Folha imagem |
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| Absolvido, Renan diz que não guarda mágoas e que votação é a vitória da democracia |
Ele deixou o Senado sem falar com a imprensa e comemorou o placar da votação com seus familiares. Em nota, Renan disse que o resultado da votação reflete a "vitória da democracia".
"O resultado da votação de hoje é uma vitória da democracia, mas é também o momento de refletir sobre as perdas que esse processo político provocou", disse ele em nota.
O presidente do Senado admitiu na nota que passou por um processo desgastante durante o período em que foi alvo de uma série de acusações. "Nesses mais de 100 dias, muitos de nós perdemos algo. Eu perdi mais. Abri mão de momentos de convivência com minha família e com os amigos."
No entanto, ele fez questão de ressaltar que não guarda mágoas de ninguém. "Não guardo mágoa nem ressentimentos. O único sentimento que me move é o do entendimento e do diálogo."
Na nota, Renan sinalizou que pretende dar continuidade ao seu trabalho à frente do Senado. "A partir da decisão madura e soberana do plenário do Senado, já comecei a procurar os líderes e presidentes de partidos para prosseguirmos na agenda legislativa que de fato interessa ao país, à população. Não tenham dúvidas. Saberei corresponder aos anseios da instituição e aproximá-la cada vez mais da sociedade brasileira."
Ele também disse que não se pode perder a confiança nas instituições: "[...] mesmo com eventuais injustiças e excessos inerentes ao processo democrático, é preciso acreditar nas instituições, fortalecê-las e não perder a confiança de que a verdade sempre prevalecerá".
Futuro de Renan
Apesar do desejo de Renan de continuar à frente do Senado, seu futuro ainda é incerto. Senadores da oposição ameaçam travar a pauta da Casa enquanto ele estiver no comando da instituição.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, disse que não há condições do Senado votar nada de relevância com a presença de Renan no comando.
Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), dificilmente Renan terá condições de conduzir as sessões e as votações daqui para frente. "Será tudo mais difícil, disso não tenho dúvidas."
Licença
Já sabendo da estratégia da oposição de obstruir a pauta do Senado, interlocutores do Planalto tentam convencer Renan a se licenciar do cargo.
A Folha Online apurou que Renan já não descarta pedir licença da presidência do Senado pelo prazo máximo de 120 dias --o que colocaria automaticamente o senador Tião Viana (PT-AC) na presidência temporária do Senado.
Se renunciar ao mandato, o Senado terá que eleger em cinco dias um substituto para o peemedebista --o que abre brechas para a oposição lançar e eleger o novo presidente da Casa. A licença seria uma estratégia para afastar Renan do foco da crise sem, ao mesmo tempo, fazer com que o peemedebista abra mão do cargo.
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