Contra Renan, oposição ameaça não votar CPMF e fazer operação-padrão
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Senadores do DEM e do PSDB vão se reunir hoje em um almoço para definir a estratégia da oposição daqui para frente depois do plenário do Senado ter absolvido o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), em sessão secreta ontem. Uma das estratégias para forçar a saída de Renan do comando do Senado é barrar a votação do projeto que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até o ano de 2011.
O governo federal espera aprovar com folga a prorrogação da CPMF na Câmara, mas já já está consciente de que vai encontrar dificuldades no Senado --onde a oposição tem número maior de parlamentares para tentar derrubar o projeto.
| Ueslei Marcelino /Folha imagem |
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"A CPMF, não podemos votar. Não venham com a chantagem de dizer que a CPMF tira dinheiro da saúde. O governo que tire recursos de outro lugar, sem essa contribuição", disse a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).
Os parlamentares de oposição também defendem que se endureça a postura por meio da obstrução de matérias consideradas prioritárias para o governo federal.
"A oposição tem que fazer uma operação padrão no Senado e passar um pente fino em todos os projetos que chegarem aqui. Não podemos deixar passar nada, não devemos fazer acordos e temos que votar somente o que for de interesse do país", disse Serrano.
HÉLIO SCHWARTSMAN COMENTA ABSOLVIÇÃO DE RENAN
A Executiva Nacional do DEM já definiu cinco pontos que a legenda pretende adotar no Senado. O partido vai propor o fim do voto secreto na Casa em processos de perda de mandato, além de cobrar a definição de um relator para o terceiro processo contra Renan que tramita no Conselho de Ética --referente à denúncia de que teria usado laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas.
O partido também decidiu obstruir a pauta de votações na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, onde tramitam o PPA (Plano Plurianual de Investimentos do governo federal) e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Os democratas ainda decidiram exigir a instalação da CPI das ONGs no Senado, assim como elaborar uma pauta de votações da Casa com projetos de interesse da oposição.
O sentimento entre muitos tucanos e democratas é o de que a oposição precisa endurecer o tom no Senado para forçar Renan a se afastar da presidência da Casa. Sem clima para votações, os dois partidos avaliam que o peemedebista não tem condições políticas para fazer com que o Senado retome suas atividades legislativas normalmente.
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