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Brasil
13/09/2007 - 18h29

Ministro do STF critica sessões e votações secretas no Senado

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu nesta quinta-feira a extinção das sessões e votações secretas no Senado. A reação dele é uma resposta à sessão secreta realizada ontem, na qual 40 votos garantiram a absolvição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de utilizar recursos de construtora para pagar despesas pessoais.

Ueslei Marcelino /Folha imagem
Renan diz que não guarda mágoas e absolvição é vitória da democracia; veja nota
Renan diz que não guarda mágoas e absolvição é vitória da democracia; veja nota

"Não há no regime democrático possibilidade de se preservar ou cultuar o mistério", afirmou Celso de Mello. "O ideal seria que, à semelhança do que ocorre no âmbito do Poder Judiciário, em particular na esfera do Supremo Tribunal Federal, as votações se processassem de maneira aberta, clara e transparente", disse o ministro.

O ministro ressaltou ainda que é direito do cidadão saber como é o comportamento daqueles que recebem seu voto e que exercem cargos públicos. "O cidadão tem o direito de saber como se comportam, como agem e como decidem não apenas os seus representantes políticos, mas todos os agentes do Estado. Não há razão para que se mantenha o sigilo do ato de votação", disse ele.

Ontem, a sessão secreta foi motivo de discussão também no STF. Na madrugada, o ministro Ricardo Lewandowski, da Suprema Corte, deferiu em parte o mandado de segurança impetrado por 13 deputados, assegurando a presença deles na sessão que antes era restrita aos senadores.

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Decisões

Mais tarde, a Mesa Diretora do Senado recorreu à decisão apelando para o STF rever a medida. Mas, em decisão no plenário, os ministros mantiveram por 6 votos a 4 a posição de Lewandowski.

Mello lembrou que os ministros do Supremo freqüentemente tomam decisões em questões "extremamente delicadas e nem por isso perdem sua independência ou se expõem a pressões indevidas". Em seguida, ele acrescentou que "o importante é que todos saibam porque os agentes públicos procederam, votaram ou deliberaram neste ou naquele sentido". "É um direito insuprimível dos cidadãos da República", afirmou.

Sem interferência

Indiretamente, o ministro respondeu ao vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que reclamou que o STF havia interferido na esfera do Poder Legislativo ao tomar a decisão, autorizando a presença dos deputados na sessão secreta.

"Não há nem se poderia cogitar interferência indevida do Supremo Tribunal Federal na esfera institucional de outro Poder. Não há nem houve ofensa ao princípio da separação de Poderes porque não há ofensa quando o Supremo Tribunal faz restaurar uma prerrogativa constitucional alegadamente violada por ato emanado de qualquer ato ou autoridade do Estado", disse Mello.

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Comentários dos leitores
Welson Navas (1) 27/09/2007 18h19
Welson Navas (1) 27/09/2007 18h19
SAO PAULO / SP
O nosso futebol está no mesmo caminho dos políticos brasileiros, tramoias e mais tramóias...

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João Marino Delize (14) 27/09/2007 11h07
João Marino Delize (14) 27/09/2007 11h07
MARINGA / PR
Eu acho que os processos contra Renan devem correr paralelo às outras votações. Não é certo que prejudiquem o país dando maior ênfase ao Problema do Renan que os problemas de um país inteiro. Há outras formas de fazer oposição. Se alguma figura ligada ao PMDB votarem contra a CPMF deveriam ser banidas do Partido. Será que não sabem que o PMDB possuem vários ministros no governo?.

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Rui Ruz Caputi Caputi (19) 26/09/2007 13h31
Rui Ruz Caputi Caputi (19) 26/09/2007 13h31
CARAPICUIBA / SP
O fato de voce votar e escolher seus representantes, nao nos garante uma democracia. Ao meu ver ainda estamos distanciados das praticas democráticas. Democracia deveria ser sinonimo de igualdade, justica, bem comum, e infelizmente ainda nao é oque se ve em nosso Brasil. O povo deveria ter instrumentos celeres e diretos de cassassao de mandatos de parlamentares que nao cumprissem com seus compromissos eleitorais efetuados com o povo. Esses impostos excorchantes a que somos submetidos diariamente, isso é insuportável, estamos nos tornando um povo mudo que sofre calado a todas essas injusticas a que somos expostos.

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