Após absolvição, Renan viaja nesta sexta e só retorna a Brasília na 2ª
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Depois de comemorar a absolvição e associá-la à democracia, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai viajar nesta sexta-feira. O local escolhido por ele não foi revelado. O senador pretende voltar na segunda-feira para retomar o trabalho e as reuniões com os líderes partidários. Para alguns interlocutores, ele disse que iria para o Paraná --mas não indicou o destino certo.
| Ueslei Marcelino /Folha imagem |
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Resistente à idéia de licença e de folga, Renan quer descansar longe de Brasília. A idéia, segundo alguns aliados, é renovar as energias para ter condições de enfrentar a próxima semana --quando o Conselho de Ética do Senado já deve começar a discutir o segundo processo contra o peemedebista.
Para o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), Renan deveria estender o fim de semana por mais cinco dias, totalizando uma semana de descanso. Segundo ele, seria o ideal para deixar "a poeira assentar". "O Senado precisa se acalmar", afirmou Salgado, um dos mais fiéis integrantes da tropa de choque de Renan.
Já o senador Pedro Simon (PMDB-RS) é mais radical: defende que Renan deixe definitivamente a presidência do Senado e não apenas viaje por um fim de semana. Abatido, o peemedebista gaúcho disse que está "profundamente triste" com o desfecho da votação na qual 40 senadores votaram pela absolvição, 35 pela cassação e seis se abstiveram.
"Ele [Renan] precisa renunciar. É a terceira vez que um presidente do Senado é alvo de suspeitas [de irregularidades], isso não pode acontecer", afirmou ele, numa referência às acusações contra os ex-senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que morreu em 20 de julho.
De acordo com Simon, o Senado precisa buscar sua redenção, uma vez que a imagem da Casa foi atingida com o resultado da votação do processo contra Renan. "Sou um velhinho, tenho 77 anos e 55 de vida pública. Posso dizer: foi o momento mais triste da Casa, faz lembrar o fechamento do Congresso e outros [episódios]."
HÉLIO SCHWARTSMAN COMENTA ABSOLVIÇÃO DE RENAN
A exemplo de Simon, a oposição também cobra publicamente o afastamento de Renan da presidência da Casa. O DEM e o PSDB anunciaram uma ofensiva para dificultar a vida do peemedebista na presidência com o objetivo a forçá-lo a sair do cargo. A interlocutores, Renan já enfatizou que a pressão não será suficiente para forçar sua renúncia ou licença da presidência.
O presidente do Senado avalia que já enfrentou a fase mais difícil dos processos a que responde no Conselho de Ética da Casa, por esta razão não vê motivos para atender aos apelos da oposição.
| Arte/Folha | ||
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