Publicidade

Publicidade
Brasil
17/09/2007 - 15h19

Lei de Mônaco não permite extradição de Cacciola, diz advogado

Publicidade

FABIANA FUTEMA
Editora de Brasil da Folha Online

Carlos Ely Eluf, advogado de Salvatore Cacciola, disse para a Folha Online que a lei local de Mônaco não permite a extradição do ex-banqueiro para o Brasil pela condenação nos crimes de peculato e gestão fraudulenta do banco Marka. Foragido desde 2000, o ex-dono do banco Marka foi preso pela Interpol em Mônaco no sábado (15) ao tentar entrar no principado.

13.mai.1999/Folha Imagem
Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, durante depoimento no Senado em 1999
Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, durante depoimento no Senado em 1999

Segundo Eluf, o Brasil não possui um tratado de extradição com Mônaco e a legislação local não prevê esse mecanismo para os crimes imputados a Cacciola.

"Para os crimes nos quais ele é acusado, a lei local de Mônaco não prevê a extradição. O juiz de Mônaco vai julgar pela lei", disse Eluf para a Folha Online por telefone.

Eluf afirmou que a equipe jurídica brasileira passou os últimos dias estudando a legislação de Mônaco para subsidiar os advogados europeus no processo de defesa de Cacciola.

"Estamos otimistas, pois não há na lei amparo para o pedido de extradição", disse. "O juiz vai abrir o processo e dar prazo para o governo pedir a extradição. Aí a defesa vai se manifestar e o juiz vai julgar à luz da lei, que não prevê a extradição", disse Eluf.

Governo brasileiro

O ministro da Justiça, Tarso Genro, se reuniu nesta segunda-feira com os secretários executivo, Luiz Paulo Barreto, e da Justiça, Romeu Tuma Júnior, para discutir o assunto.

Ele determinou aos dois que elaborem o mais rápido o possível os termos do pedido de extradição de Cacciola. A previsão do ministério é que até o final do dia o documento esteja pronto. Está marcada para amanhã a primeira audiência judicial do ex-banqueiro.

A ministra-conselheira da Embaixada do Brasil em Paris, Maria Laura da Rocha, vai a Mônaco para acompanhar o pedido brasileiro de extradição do ex-banqueiro.

Caso

O ex-banqueiro está foragido desde 2000, quando ele fugiu para Itália. Na época, o governo brasileiro não conseguiu a extradição de Cacciola, pois o acordo bilateral com a Itália não prevê a extradição de italianos

Em 2005, Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro pelos crimes de peculato (utilização do cargo para apropriação de dinheiro) e gestão fraudulenta do banco Marka.

O banco Marka quebrou com a desvalorização cambial de 1999. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar. O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.

O BC socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma 'crise sistêmica' no mercado financeiro.

Na mesma ação em que foi condenado Cacciola, houve decisões contra o então presidente do BC, Francisco Lopes ---condenado a dez anos de prisão---e a ex-diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi ---condenada a seis anos.

Com Folha de S.Paulo e Folha Online, em Brasília

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (315) 31/05/2009 12h09
Igor Bevilaqua (315) 31/05/2009 12h09
Não demora esse tal de Cacciola sair da cadeia como "HERÓI", lá dentro segundo reportagem ele já é tratado como tal, é só sair que aquí fora também o será..., o povo brasileiro é atrasado e ignorante em se tratando de $$$celebridades$$$..., e tanto faz ser bandido ou não que a pessoa é ovacionada, reeleita, tem um acolhimento "VIP"..., vejam políticos bandidos, são reeleitos facilmente..., se o Cacciola entrar na política brasileira, ele será eleito sem sombra de dúvidas..., e lá na redoma de corrupção ele será apenas mais um entre os muitos. sem opinião
avalie fechar
João Carlos Gagliardi (1384) 18/05/2009 23h48
João Carlos Gagliardi (1384) 18/05/2009 23h48
A melhor saída para o "pobre" do Salvatore Cacciola, seria entrar para a política.
Como ele tem dupla cidadania, seria até fácil.
E considerando-se que a maioria dos nossos políticos tem ficha na polícia, tem até ex-terroristas, um crimezinho do "colarinho branco" até que não seria grande coisa...
Tem um certo partido aí, que faz o que quer e que mesmo quando são pegos em alguma sujeira, não acontece nada com eles, porque é só dizerem as palavrinha mágicas:
"Eu não sabia de nada...", que tudo acaba em pizza.
Como ele também é meio italiano e deve adorar pizza, AQUELE partido seria ideal para ele...
1 opinião
avalie fechar
Luís da Velosa (726) 18/05/2009 16h07
Luís da Velosa (726) 18/05/2009 16h07
Cacciola, esse sabidório, deve ser exemplarmente punido para que, no amanhã, não nos envergonhemos de nós mesmos. 11 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (471)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca