Lula diz que nenhum partido consegue governar sem CPMF e critica oposição
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que nenhum partido conseguiria mais governar o país sem a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). O Planalto tenta, por meio da base aliada, votar ainda hoje na Câmara dos Deputados a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011 e mantém a alíquota de 0,38%.
| 05.jan.2007/Folha Imagem |
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| Depois de admitir que era contrário à CPMF, Lula diz que não dá para governar sem ela |
"Nenhum governo, do PMDB, do PSDB, do PT ou do PFL [atual DEM] ou de qualquer outro partido conseguiria governar [o país] sem a CPMF", disse Lula hoje ao participar da cerimônia de lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Funasa.
Num recado para a oposição, que tenta impedir a votação da PEC, Lula afirmou que somente os "sem juízo" podem querer abrir mão da CPMF. "Qualquer pessoa de juízo, a não ser os que querem inviabilizar o país, sabe que não poderia abrir mão da CPMF."
No sábado, Lula admitiu que já foi contrário à cobrança da CPMF quando o PT era um partido de oposição. Em Madri, Lula afirmou que considerava normal a tentativa da oposição de barrar a prorrogação da cobrança do chamado imposto do cheque.
"Eles estão fazendo o papel deles, o [mesmo] que eu fazia quando não era governo. Eu fui no Congresso pedir para barrar a [criação] CPMF", disse o presidente no sábado, segundo a "Agência Brasil".
Afago
Lula aproveitou o evento de hoje para elogiar os parlamentares. O governo precisará do apoio da base aliada para votar a PEC da CPMF. "Já foi provado que Congresso consegue melhorar muitos projetos enviados pelo governo."
O Planalto trabalha para aprovar a PEC sem alterações no Congresso. Mantida a alíquota de 0,38%, a cobrança da CPMF deve render aos cofres públicos cerca de R$ 39 bilhões no próximo ano.
Para ser aprovada, a PEC da CPMF precisa ser votada em dois turnos da Câmara. Em cada um dos turnos, precisa de 308 votos favoráveis. O intervalo entre a primeira e a segunda votação é de cinco sessões. Da Câmara, a PEC segue para o Senado --onde também precisa ser aprovada em dois turnos.
Felicidade
O presidente sinalizou que está satisfeito com os resultados apresentados pelo seu governo. "Me considero um homem feliz porque vivo o melhor momento como presidente da República. Estamos colhendo exatamente o que plantamos: nem mais nem menos."
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