Oposição promete dar canseira na votação da CPMF; sessão deve acabar às 6h
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Em uma guerra de estratégias baseadas no regimento interno da Câmara, a oposição tenta vencer o primeiro round da disputa que envolve a prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011 adiando a votação para a próxima semana. Se a base governista conseguir driblar o bloqueio da oposição, a votação deve começar às 23h30 e acabar por volta das 6h desta quinta-feira, segundo previsão otimista de deputados da Casa.
| 23.fev.2007/Folha Imagem |
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| Arlindo Chinaglia convocou todos os deputados a participarem da sessão de votação da CPMF |
Sem sinais de negociações entre oposicionistas e governistas, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que todos devem estar preparados para uma longa jornada. "Chamo todos os deputados que estão nos gabinetes para virem ao plenário, que a jornada será longa, e ninguém dá sinais que abre mão da parada", disse.
O vice-líder do PT na Casa, Henrique Fontana (RS), reclamou da estratégia oposicionista. Segundo ele, não há pressão nem teste de paciência que vença os governistas. "Se precisar, nós ficamos até as 2h. Isso não é problema. Votamos nesta madrugada [referindo-se à votação da medida provisória que autorizou liberação de crédito para o executivo]", disse.
Já o vice-líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), respondeu ao petista, informando que a oposição está preparada para enfrentar votações de madrugada. "Cansaço não faz parte do nosso dicionário. As votações anteriores mostraram que o governo está com dificuldades, pois há ausências e abstenções no plenário", afirmou ele.
O deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG), um dos principais defensores da CPMF em nome da saúde, reconheceu que há dificuldades em aprovar a medida ainda nesta quarta-feira. "É preciso ter paciência. O sistema deles [da oposição] é vencer pelo cansaço. É uma estratégia perversa", disse.
Estratégia
A tática aplicada pela oposição --DEM, PPS, PSDB e PSOL-- é de apresentar inúmeros requerimentos sugerindo adiamentos que variam de duas a seis sessões. Há, ainda, questionamentos sobre um e outro artigo do texto-base da proposta. O conjunto de estratégias é associada ao movimento de obstrução (impedimento) das votações.
Paralelamente o governo sinaliza com o atendimento de pleitos aos mais diversos setores. Para os ruralistas, promete renegociar as dívidas dos pequenos produtores. Para os setores calçadista e moveleiro, cuja MP (medida provisória) iria beneficiá-los e foi revogada, há a possibilidade de edição de um decreto com os mesmos benefícios previstos na medida --estabelecendo redução de alguns impostos para os setores.
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