Brasil
19/09/2007 - 20h43

Oposição mantém obstrução e impõe nova derrota a Renan

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Os partidos de oposição conseguiram hoje impor uma nova derrota ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Pelo segundo dia consecutivo, a obstrução do DEM e do PSDB impediu a votação de matérias no plenário do Senado como estratégia para pressionar Renan a se afastar do cargo.

Lula Marques/Folha Imagem
Lula e Renan se encontram publicamente pela 1ª vez em cerimônia no Palácio do Planalto
Lula e Renan se encontram publicamente pela 1ª vez em cerimônia no Palácio do Planalto

No momento em que o plenário começaria a votar mais uma vez a indicação de Luiz Antonio Pagot para a presidência do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes), a oposição recomendou suas bancadas a esvaziarem o plenário --o que provocou o fim da sessão por falta de quórum.

Eram necessários pelo menos 41 senadores no plenário para que a matéria fosse colocada em votação (maioria simples da Casa), mas apenas 37 senadores registraram presença.

Apesar da pressão da oposição contra Renan, o presidente do Senado reiterou estar "absolutamente tranqüilo" e disposto a ficar onde está. "Não há obstrução contra ninguém. Há obstrução em razão de uma pauta que tem que ser negociada pelo partidos e líderes, não cabe ao presidente do Senado. Ao presidente do Senado cabe presidir e é isso que eu tenho feito com a autoridade que o cargo requer", disse.

Renan considerou uma "contradição" dos partidos de oposição a obstrução imposta às votações no plenário. Mas admitiu que a ação dos partidos de oposição é prevista pelo regimento da Casa. O peemedebista reiterou que, ao ser inocentado pelo plenário do Senado, conseguiu provar sua inocência. "A verdade tem muita força, eu sempre disse que íamos ganhar. A inocência, ela sempre prepondera."

Na opinião de Renan, se não houver um entendimento entre os líderes partidários as votações no Senado ficarão prejudicadas. "Se os líderes não se entenderem, eles dificultarão o processo de votação", encerrou.

Impasse

A oposição promete manter a obstrução às votações no plenário do Senado até que a Casa coloque em votação três matérias consideradas prioritárias para o DEM e o PSDB. A primeira delas obriga o afastamento de integrantes da Mesa Diretora que estejam sob investigação do Conselho de Ética. O segundo projeto de resolução acaba com as sessões secretas no Senado para votações de perda de mandato.

A oposição também cobra a votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nesta quarta-feira que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional.

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Comentários dos leitores
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
SALVADOR / BA
BARSÍLIA CONSEGUE SER PALCO DOS CRIMES PERFEITOS, CONTRARIANDO AS TESES. É UMA VERGONHA. VOTAR É OBRIGATÓRIO, MAS JULGAR PODRES POLÍTICOS TEM QUE SER SECRETO E A MARGEM DA OPINIÃO PÚBLICA. ONDE IREMOS PARAR? O QUE MAIS VAMOS ENGOLIR? O BRASILEIRO É MUITO PACIENTE, OU SERIA INCONSCIENTE? MEUS FILHOS AINDA VÃO SOFRER MUITO. sem opinião
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Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
GUARUJA / SP
Enquanto a impunidade reinar neste país, servindo de alicerde para todo tipo de imoralidade e de corrupção, esse tipo de conduta e desrespeito dos maus políticos ao cidadão brasileiro, será sempre uma rotina, que na gíria seria definido como "tipo" é "normal".
A que ponto chegamos....
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Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Boa Tarde, Sr. Marco Carneiro, 24/02-11h02 - Quanto a questão que o senhor coloca na conclusão de vosso comentário, ó senhor mesmo coloca a resposta no seu teor. Supostamente, só pode mesmo ser pela GRANA que envolve cada ministério ou cada empresa estatal que tudo fazem para que partidários exerçam suas funções na administração dos mesmos. Um dos partidos que mudou de rumo e para pior, foi o PMDB, que já teve em suas fileiras, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, entre outros e que daquele tempo de MDB, restam muitos poucos, como Pedro Simom, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa. Este PMDB, dava a alma em defesa dos interesses nacionais e não queriam nada por isso, entretanto de uns tempos para cá, só sabem e exigir vantagens para votar em projetos de interesse do Governo. Pelo que o senhor escreve, pensamos a mesma coisa nesse aspécto de indoneidade na política. Eu tenho uma opinião, em que encontrei adeptos e opositores, mas, julgo importante, de que, através de contato numa rede ou por e-mails, juntássemos forças para colocar em prática o que pensamos, quanto a políticos corruptos. A imprensa está fazendo sua parte, mas na hora H, não irá querer divulgar nomes e isso cabe a nós fazê-lo, para que possamos evitar a reeleição de muitos desses que se apoderam de recursos públicos.
Muito Grato por vossa opinião.
Bom final de domingo Sr. Marco.
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