Brasil
20/09/2007 - 20h28

Após vencer 1º round da CPMF, governo analisa pedidos de aliados

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A partir da próxima semana o governo deve começar a atender os pedidos dos aliados que votaram nesta quarta-feira em favor da proposta de prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. A idéia é analisar os pedidos de indicações e, simultaneamente, autorizar a liberação de emendas parlamentares. (Veja os nomes dos deputados que votaram a favor da proposta que prorroga a cobrança da CPMF)

Divulgação
Múcio diz que Lula governa com a ajuda de outros 11 partidos e tem de atender a todos
Múcio diz que Lula governa com a ajuda de outros 11 partidos e tem de atender a todos

Também está sendo analisada a elaboração de projetos de lei que favoreceriam os setores moveleiro e calçadista, além da renegociação das dívidas dos pequenos produtores rurais.

Em defesa das promessas feitas aos aliados, o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), reagiu nesta quinta-feira à oposição --que criticou os acordos feitos pelos governistas em busca da garantia para a aprovação da CPMF. "O presidente é de um partido, mas governa com outros 11, portanto tem de buscar atendê-los. É o que estamos fazendo."

Porém, Múcio admitiu que a maior dificuldade está em atender as indicações encaminhadas pelos partidos aliados. "É que para se nomear um, sempre tem de se tirar outro. Então é uma longa negociação", afirmou o líder.

26.jun.2007/Folha Imagem
Ronaldo Caiado, do DEM, diz que preço do apoio será alto no 2º turno da votação da CPMF
Ronaldo Caiado, do DEM, diz que preço do apoio será alto no 2º turno da votação da CPMF

O líder em exercício do DEM, Ronaldo Caiado (GO), ironizou as negociações do governo. De acordo com ele, o preço dos acordos sairá alto. "Só haverá segunda votação se o governo pagar a fatura. Penalizam a sociedade com a CPMF e depois ainda negociam no subterrâneo. O que foi negociado? Se tiveram 338 votos ontem, por que não têm hoje?", discursou, em plenário --que não teve quórum para votar emendas ao texto-base da proposta.

Atrasos

Múcio reconheceu que haverá um atraso de uma semana no cronograma elaborado pelo governo. É que na próxima semana serão discutidos e votados dez destaques e 60 emendas constitucionais --ligadas diretamente e indiretamente à cobrança da CPMF.

Essa votação estava prevista para ocorrer hoje, mas o quórum reduzido e um acordo entre os líderes da base aliada provocaram o adiamento.

Regimentalmente, o recurso utilizado para adiar foi a aprovação de um requerimento proposto pelo deputado José Genoino (PT-SP) sugerindo que a votação fosse transferida para a semana que vem. De acordo com os parlamentares, o adiamento foi positivo. Alguns alegavam cansaço e os gaúchos queriam comemorar a data da Revolução Farroupilha.

Polêmicas

27.dez.2006/Folha Imagem
Paulinho da Força quer discutir elevação das emendas individuais no debate da CPMF
Paulinho da Força quer discutir elevação das emendas individuais no debate da CPMF

Na sessão de terça-feira serão votadas emendas e destaques que propõem as mais diversas modificações na Constituição.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), por exemplo, pediu preferência --inclusão entre as propostas em discussão-- para a elevação de R$ 6 milhões para R$ 10 milhões das emendas individuais dos parlamentares e ainda acaba com as emendas de bancada.

"É uma maneira de nos libertar das garras do governo porque a emenda determina também a obrigatoriedade ao governo que libere os recursos e não deixe na promessa como faz", disse Paulinho.

Mas há também emendas que têm uma referência direta com a cobrança da CPMF. O PSDB sugere o fim da cobrança da contribuição a partir de 31 de dezembro como estabelece a Constituição. Os tucanos pedem a retirada do artigo 2º do texto-base aprovado ontem à noite.

Pelos cálculos dos deputados e dos técnicos da Câmara, a pauta com dez destaques e 60 emendas precisará de uma sessão de longa duração para ser concluída. É que para aprovar emendas são necessários 308 votos favoráveis, autorizando a inclusão no texto-base da proposta que modifica a Constituição, e ainda exige que as votações sejam nominais --quando cada deputado se manifesta.

Final

A segunda e última votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) deve ocorrer na primeira semana de outubro. Em seguida, será remetida para o Senado onde vai ser submetida a nova análise e votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Depois vai para o plenário do Senado. Para ser aprovada são necessários 49 votos favoráveis dos senadores, no mínimo.

Nesta quinta-feira, o presidente da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e deputado Armando Monteiro (PTB-PE), reconheceu que há dificuldade para aprovar a proposta no Senado. Há dois dias a Casa não realiza votações porque a oposição obstrui a pauta em protesto à permanência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. Indiferente à pressão da oposição, Renan defendeu nesta quinta-feira a aprovação da CPMF.
"A CPMF é de interesse do país, não do governo", afirmou o peemedebista. Pela estimativa do governo, mantida a alíquota de 0,38%, a cobrança da CPMF deve render aos cofres públicos cerca de R$ 39 bilhões no próximo ano.

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Comentários dos leitores
Pedro Carvalho (2) 28/09/2009 13h40
Pedro Carvalho (2) 28/09/2009 13h40
É errado fazer essa divisão de quem merece mais ou quem merece menos, pois, a princípio, todos os partidos são iguais. No entanto, nós sabemos disso, que, se o DEM ou o PSDB estivesse no poder, ele também iriam fazer a mesma coisa. Isso sempre existirá nessa política pobre que é a brasileira. sem opinião
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Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h15
Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h15
VIVA O PMDB: ESTÁ SEMPRE PRONTO PARA PREJUDICAR O POVO. QUE SAUDADE DE ULISSES
GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
sem opinião
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osny chicoli (7) 01/09/2009 12h05
osny chicoli (7) 01/09/2009 12h05
Tentem diminuir os cargos públicos nomeados que sobrara dinheiro mesmo sem aumentar os impostos sem opinião
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