Lula pede revisão do modelo de desenvolvimento e alerta para catástrofe
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou hoje da abertura da Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, nos Estados Unidos. No discurso de abertura, Lula alertou os países sobre o risco de uma catástrofe ambiental e disse que era necessário repensar o modelo de desenvolvimento global.
| Mike Segar/Reuters |
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"Não nos iludamos: se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes. É preciso reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço", disse Lula no discurso.
O presidente disse que a perseguição do lucro e riqueza a qualquer preço coloca em risco a existência da própria humanidade. "Há preços que a humanidade não pode pagar sob pena de destruir as fontes materiais e espirituais da existência coletiva. Sob pena de destruir-se a si mesma. A perenidade da vida não pode estar à mercê da cobiça irrefletida."
Lula afirmou que a relação do homem com a natureza não será alterada enquanto houver injustiças sociais. "O mundo, porém, não modificará a sua relação irresponsável com a natureza sem modificar a natureza das relações entre o desenvolvimento e a justiça social. Se queremos salvar o patrimônio comum, impõe-se uma nova e mais equilibrada repartição das riquezas, tanto no interior de cada país como na esfera internacional."
No discurso de abertura da assembléia da ONU, Lula defendeu a busca da igualdade social. "A eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do Planeta. cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa. Mas não é admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da Terra. Os países mais industrializados devem dar o exemplo. É imprescindível que cumpram os compromissos estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto. Isso contudo não basta. Necessitamos de metas mais ambiciosas a partir de 2012. E devemos agir com vigor para que se universalize a adesão ao protocolo."
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