Brasil
25/09/2007 - 13h49

Renan diz que seu caráter não permite chantagear outros senadores

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou hoje que tenha um clima de chantagem na Casa. Nos bastidores, Renan é acusado de chantagear senadores de todos os partidos para conseguir se manter na presidência do Senado.

Ueslei Marcelino /Folha imagem
"O meu caráter não permite que isso aconteça", diz Renan sobre chantagem
"O meu caráter não permite que isso aconteça", diz Renan sobre chantagem

"Muito pelo contrário, sobretudo partindo de mim. Eu sempre tive com a Casa o melhor relacionamento, independentemente da condição partidária de cada um. Converso com todos, sou amigo de todos", disse Renan, alvo de mais três processos por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado.

Reportagem da revista "Veja" desta semana informa que Renan fez um acordo com a bancada do PT no Senado para conseguir escapar do primeiro processo de cassação. Pelo suposto acordo, o PT apoiaria Renan e o peemedebista se afastaria da presidência do Senado.

No entanto, de acordo com a reportagem da "Veja", Renan teria descumprido o acordo fechado com a bancada petista. Para se prevenir, ele teria montado dossiês contra os petistas.

A matéria informa ainda que teria partido de Renan a denúncia contra o vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), de empregar uma funcionária fantasma. Silvania Gomes Timóteo, contratada pelo gabinete de Viana, trabalharia no diretório do PT, em Brasília. Ela recebia do Senado um salário de R$ 6.773,41 e mais auxílio alimentação de R$ 560.

Renan negou que tenha montado dossiês contra parlamentares de qualquer partido. "O meu caráter não permite que isso aconteça de forma nenhuma."

Na votação do primeiro processo por quebra de decoro, Renan foi absolvido com 40 votos favoráveis, 35 pela cassação e 6 abstenções. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) admitiu que se absteve de votar na sessão secreta.

Paralisação das investigações

Renan evitou comentar a decisão do relator do segundo processo que tramita contra ele no Conselho de Ética, João Pedro (PT-AM), de paralisar as investigações. "Não tenho acompanhado o Conselho de Ética e vou provar minha inocência"

João Pedro (PT-AM) disse que vai recomendar o "sobrestamento" (paralisação) das investigações ao invés do arquivamento imediato do processo contra o presidente da Casa.

O senador defende que o conselho --antes de concluir se Renan quebrou ou não o decoro parlamentar na segunda representação-- espere a Câmara dos Deputados investigar se há envolvimento do irmão de Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), nas acusações que atingem o peemedebista.

Na segunda representação, Renan é acusado de trabalhar para reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol junto ao INSS como gratidão ao fato da empresa ter comprado uma fábrica de seu irmão por preço acima do mercado.

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Comentários dos leitores
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
SALVADOR / BA
BARSÍLIA CONSEGUE SER PALCO DOS CRIMES PERFEITOS, CONTRARIANDO AS TESES. É UMA VERGONHA. VOTAR É OBRIGATÓRIO, MAS JULGAR PODRES POLÍTICOS TEM QUE SER SECRETO E A MARGEM DA OPINIÃO PÚBLICA. ONDE IREMOS PARAR? O QUE MAIS VAMOS ENGOLIR? O BRASILEIRO É MUITO PACIENTE, OU SERIA INCONSCIENTE? MEUS FILHOS AINDA VÃO SOFRER MUITO. sem opinião
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Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
GUARUJA / SP
Enquanto a impunidade reinar neste país, servindo de alicerde para todo tipo de imoralidade e de corrupção, esse tipo de conduta e desrespeito dos maus políticos ao cidadão brasileiro, será sempre uma rotina, que na gíria seria definido como "tipo" é "normal".
A que ponto chegamos....
77 opiniões
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Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Boa Tarde, Sr. Marco Carneiro, 24/02-11h02 - Quanto a questão que o senhor coloca na conclusão de vosso comentário, ó senhor mesmo coloca a resposta no seu teor. Supostamente, só pode mesmo ser pela GRANA que envolve cada ministério ou cada empresa estatal que tudo fazem para que partidários exerçam suas funções na administração dos mesmos. Um dos partidos que mudou de rumo e para pior, foi o PMDB, que já teve em suas fileiras, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, entre outros e que daquele tempo de MDB, restam muitos poucos, como Pedro Simom, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa. Este PMDB, dava a alma em defesa dos interesses nacionais e não queriam nada por isso, entretanto de uns tempos para cá, só sabem e exigir vantagens para votar em projetos de interesse do Governo. Pelo que o senhor escreve, pensamos a mesma coisa nesse aspécto de indoneidade na política. Eu tenho uma opinião, em que encontrei adeptos e opositores, mas, julgo importante, de que, através de contato numa rede ou por e-mails, juntássemos forças para colocar em prática o que pensamos, quanto a políticos corruptos. A imprensa está fazendo sua parte, mas na hora H, não irá querer divulgar nomes e isso cabe a nós fazê-lo, para que possamos evitar a reeleição de muitos desses que se apoderam de recursos públicos.
Muito Grato por vossa opinião.
Bom final de domingo Sr. Marco.
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