Brasil
26/09/2007 - 20h34

PMDB se rebela e Senado rejeita MP que cria secretaria de Mangabeira Unger

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O Palácio do Planalto terá que extinguir a Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo da presidência da República, chefiada pelo filósofo Mangabeira Unger. O Senado Federal rejeitou hoje, por 22 votos a 46, a MP (medida provisória) que criou a secretaria --editada neste ano.

01.jun.2007/Folha Imagem
Sem PMDB, governo não conseguiu aprovar MP que cria secretaria de Mangabeira Unger
Sem PMDB, governo não conseguiu aprovar MP que cria secretaria de Mangabeira Unger

Além da extinção do órgão, o governo também será obrigado a destituir mais de 600 funcionários que foram contratados em cargos comissionados autorizados pela MP.

A derrota do governo foi imposta pela bancada do PMDB no Senado, a maior da Casa Legislativa. Apesar de integrar a base de apoio do Palácio do Planalto, os peemedebistas estão revoltados com o tratamento dado pelo governo para a bancada do Senado --que reivindica cargos de segundo escalão no governo.

O senador Valter Pereira (PMDB-MS), relator da medida provisória, orientou os parlamentares a derrubarem a matéria.

A oposição vibrou com o voto de Pereira, um dos primeiros relatores escolhidos pelo governo a recomendar a rejeição de uma MP. "Aleluia, finalmente apareceu alguém como coragem de não apresentar voto sim a essa matéria. Votamos não pela falta de urgência e relevância dessa medida", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Pereira disse que se sentiu à vontade para recomendar a derrubada da medida depois da reunião com o líder do partido no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), na qual vários peemedebistas deixaram claro o seu descontentamento com o governo.

O senador disse não ser contrário à criação da secretaria nem aos cargos comissionados autorizados pela MP. Mas afirmou que o governo federal não deveria usar o instrumento medida provisória para criar os cargos e o órgão.

"Tudo aqui é medida provisória. De repente, o Congresso está sendo suprimido. A instância do Congresso está sendo irrelevante. Estamos sendo garroteados pelo Executivo e é contra isso que temos que nos levantar. No mérito, não faço reparo. Faço reparo na questão formal, processual, na tramitação. Aí sim o governo está pecando", criticou Pereira.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) fez sucessivos apelos para que os senadores aprovassem a MP, mas os pedidos foram em vão. "Estamos eliminando uma secretaria para pensar o desenvolvimento estratégico do país. Se quisermos ter lugar no futuro, temos que fortalecer o planejamento estratégico. A União Européia tem um ministério, não uma secretaria, para discutir o seu planejamento estratégico", argumentou.

Comissão

O Congresso vai criar uma comissão mista de deputados e senadores para discutir a situação dos servidores atingidos com a extinção da MP. Para recriar a secretaria e os cargos comissionados, o governo federal terá que enviar novo projeto ao Congresso Nacional.

Ao contrário da MP, que tem prazo para tramitar na Câmara e no Senado, o projeto de lei tem que percorrer todos os caminhos previstos nos regimentos das duas Casas antes de ser apreciada em plenário.

Comentários dos leitores
Helena Manzione (164) 16/07/2008 07h35
Helena Manzione (164) 16/07/2008 07h35
SAO PAULO / SP
"Mesa do Senado decide arquivar criação de 97 cargos"
Câmada adia decisão sobre aumento...
...
Só vão deixar a poeira baixar prá dar o golpe mais prá frente.
sem opinião
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Alcides Emanuelli (125) 16/07/2008 00h13
Alcides Emanuelli (125) 16/07/2008 00h13
FLORIANOPOLIS / SC
Eu não entendo que estado é esse onde não tem planejamento, não tem estrutura organizacional, não tem administração séria e competente nas instituições publicas o que deveria e teria que ter trabalhadores de acordo com as necessidades, e trabalhando de fato não encostados em casa e uma plano de cargos e salarios de acordo com as necessidades e os serviços e qualificação necessarias.
Mais tem instituições publicas que o governo deveria privatizar, porque não tem necessidades de tais atividades serem publicas no caso uma delas é os CORREIOS.
Mas bem amigos o minimo que o povo quer, uma vez que somos nós que pagamos esses salrios é reestruturação nas instituições publicas, planos de cargos e salarios definidos e reajustes semestrais de acordo com a inflação desses periodo e ninguem precisaria mais votar nada, perder tempo com votações, e outros mecanismos que funcionam nesses sistemas.
A inflação e todos teriam no minimo um pouco mais de igualdade de tratamento.
Geralmente quando alguem tem que votar alguma coisa não é bom negocio, sempre tem alguem de algum lugar que vai querer ganhar mais que a inflação e muitas vezes os beneficiados são os proprios julgadores da lei, assim com leis definidas sobre salarios e pre estipuladas e em comum acordo com as classes ninguem iria julgar se foi beneficiado mais ou menos do que o outro e assim deveria ser pela honra e ética das decisões politicas.
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Elza Miranda Cardoso (39) 19/06/2008 13h02
Elza Miranda Cardoso (39) 19/06/2008 13h02
JÁ SABEMOS QUE ....
É D A N D O Q U E S E R E C E B E.....
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