Senado aprova fim das sessões secretas para processos de cassação
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira projeto de resolução que acaba com as sessões secretas no plenário da Casa em votações de processos de cassação. Após o desgaste provocado à Casa Legislativa com a sessão secreta que absolveu o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no primeiro processo por quebra do decoro parlamentar, os senadores aprovaram em votação simbólica o projeto.
A aprovação do projeto foi uma das condições impostas pelo DEM e o PSDB para o fim da obstrução às votações no plenário do Senado. Em acordo firmado com o governo, os partidos concordaram em liberar a pauta de votações da Casa para que o projeto fosse aprovado. Os senadores votaram nesta quarta-feira cinco medidas provisórias para destrancar a pauta.
A oposição cobra, agora, a votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com as votações secretas no Congresso. Ao contrário do projeto aprovado esta noite pelo Senado, a PEC terá uma tramitação lenta --uma vez que precisa de quorum qualificado para votação no plenário da Casa, além de ser apreciada em dois turnos.
Com o acordo, governo e oposição comemoraram o fim das sessões secretas no Senado. "A luz do dia é o melhor remédio para os males da vida pública. É isso que precisamos: transparência, luz. Que a sociedade possa nos julgar não somente por aquilo que vamos dizer na sessão, mas também pelo voto. Não basta ser apenas a sessão aberta, as votações têm que ser transparentes", disse o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que o fim das sessões secretas deve ser comemorado como o "enterro de um lixo" presente no Senado. "Isso aqui não é a escolha do papa. Não tem sentido fazer sessão secreta, até porque as informações sempre são vazadas de forma distorcidas. Diversas pessoas passaram grande parte da sessão [que absolveu Renan] no telefone", disse o tucano.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu que, agora, que o Senado também aprove o fim do voto secreto na Casa. "Nada melhor do que a população saber qual o nosso procedimento, qual o nosso voto em cada uma das decisões", disse o petista.
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O Brasil é refém dos políticos, que tem o voto obrigatório como sua grande arma.
Eu era otimista. Agora, só resta esperar que as geraçöes futuras consigam desatar este nó.
gabriel moraes
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