Conselho reúne processos contra Renan e escolhe aliado para relatar casos
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu hoje unificar dois últimos processos contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) em uma única ação. Ele escolheu o senador Almeida Lima (PMDB-SE) para relatar os dois casos --unidos agora num único processo.
| 20.jun.2007/Folha Imagem |
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| Aliado, Almeida Lima vai relatar dois últimos processos contra Renan |
Lima é um dos mais fiéis aliados de Renan. Um dos três relatores do primeiro processo contra Renan, ele sugeriu o arquivamento da ação em um texto em separado. Os outros dois relatores do processo --Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS)-- recomendaram a cassação do mandato no processo que investigava se Renan havia usado recursos da Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
A possibilidade de reunir os processos contra Renan foi sugerida pela bancada do PT no Senado. Só que Quintanilha decidiu reunir apenas as terceira e quarta representações apresentadas contra Renan. O segundo caso, relatado por João Pedro (PT-AM), deve ser paralisado.
Na terceira denúncia, Renan é acusado de usar laranjas para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas com dinheiro não declarado à Receita Federal. Na última representação, o senador é investigado sobre a suspeita de integrar esquema de desvio de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB.
Aliados de Renan admitem, nos bastidores, que a reunião dos dois últimos processos pode beneficiar o peemedebista. A acusação do uso de laranjas em Alagoas é considerada grave pela oposição --que avalia que se estivesse reunida a outro processo poderia perder força.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse hoje ser contrário à junção dos dois últimos processos contra Renan. Na opinião de Tuma, as denúncias são distintas e merecem investigações separadas. A reunião dos casos, segundo o corregedor, pode contribuir para a absolvição de Renan.
"Com a perdão da expressão, juntar os processos seria reunir uma única quadrilha com várias habilidades. Mas não dá para juntar tudo num processo só. Ligar um ao outro não pode porque são acusações diferentes. Assim, se enfraquecem as denúncias", afirmou.
Segundo processo
Quintanilha descarta reunir o segundo processo contra Renan aos outros dois por já ter relator designado para o caso --o senador João Pedro (PT-AM). O relator adiantou que vai recomendar o "sobrestamento" (paralisação) das investigações até que a Câmara dos Deputados investigue o caso.
Assim como Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) é acusado na segunda representação de beneficiar a Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou fábrica do deputado por preço superfaturado em Maceió.
Na opinião de Tuma, o Senado não deveria paralisar as investigações para somente esperar os deputados concluírem se Renan está envolvido na denúncia.
"Não devemos não fazer nada e pedir prorrogação para esperar a Câmara investigar porque o caso não pára somente no deputado", criticou Tuma.
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