Lula janta com aliados e tenta definir estratégia de votação da CPMF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Alvo da reclamações de falta de atenção com os parlamentares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os líderes da base aliada do governo para um jantar amanhã, no Palácio da Alvorada. A idéia é demonstrar seu interesse pelos assuntos de Congresso e demandas dos deputados.
A conversa de Lula com os líderes ocorre a uma semana da votação, em segundo turno, da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e da DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2011, na Câmara dos Deputados.
Para aprovar a proposta, o governo precisa garantir 308 votos favoráveis. No encerramento do primeiro turno, a votação acabou de madrugada em decorrência da obstrução da oposição --que promete manter o mesmo movimento nas próximas votações.
De acordo com aliados, a reunião com Lula será positiva pois atende aos anseios das bancadas governistas. "É positivo que isso ocorra pois há vários temas a tratar: da CPMF e DRU até as questões que envolvem o PMDB", disse o líder do PSB na Casa, Márcio França (SP).
O ministro Walfrido dos Mares (Relações Institucionais) foi encarregado por Lula para definir com o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), a pauta do jantar. O que o presidente pretende é demonstrar sua disposição em assumir o comando das articulações políticas.
Múcio negou que as negociações por cargos estejam na lista de temas a ser tratada com Lula. "É preciso ter equilíbrio quando o presidente é de um partido e há outros 11 envolvidos, eu defendo que só se trate deste assunto [cargos], depois de resolvida a questão da CPMF na Câmara", disse ele.
Interessado em nomear integrantes para a Petrobras, Eletrobrás, Eletrosul, Eletronorte e diretorias regionais de Agricultura e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o PMDB negou que mencionará o assunto na conversa com o presidente.
Nos dias que antecederam a conclusão do primeiro turno da votação da CPMF e da DRU, o PMDB da Câmara reclamou de indicações de petistas para cargos na Petrobras.
Na mesma semana, o partido foi responsável pela rejeição, no Senado, da medida provisória que criava a Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo, chefiada por Mangabeira Unger.
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