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Brasil
03/10/2007 - 10h35

Walfrido se define como "avis rara" da política

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LEONARDO SOUZA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Numa última tentativa de não ser denunciado no caso do valerioduto tucano, o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) classificou-se como "avis rara" no meio político e disse que há pessoas interessadas em "colocar uma faca no pescoço" do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza.

Walfrido apresentou, anteontem, sua defesa prévia a Antonio Fernando, que deve propor nos próximos dias denúncia contra os envolvidos no caixa dois da campanha de 1998 de Eduardo Azeredo (PSDB).

Apesar de não ter explicitado a comparação, a expressão "faca no pescoço" foi uma alusão à frase dita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski.

Numa conversa ao telefone, presenciada pela Folha, Lewandowski disse que "todo mundo votou com a faca no pescoço", referindo-se aos demais ministros do Supremo, na aceitação da denúncia contra os envolvidos no mensalão.

Segundo Walfrido, por meio de seu advogado, Arnaldo Malheiros Filho, "pessoas interessadas na manipulação política das apurações" sobre o valerioduto tucano estariam exercendo "inusitada pressão" para que o procurador oferecesse a denúncia de forma prematura.

Usando muitos adjetivos e acrescentando pouca informação nova, Walfrido, mais uma vez, negou que tivesse participado da coordenação da campanha de Azeredo. A Polícia Federal apreendeu três manuscritos de Walfrido com anotações sobre recursos a aliados políticos. Em pelo menos um caso citado pelo ministro, a PF confirmou que o aliado recebeu dinheiro do caixa dois de Azeredo.

Walfrido diz que os manuscritos eram apenas estimativas de despesas e que ajudou a fazer os cálculos por ser hábil com números. "Engenheiro de formação [...], o requerente tornou-se avis rara no meio político, onde a retórica costuma suplantar de longe a aritmética." "Sua capacidade de dimensionar quantitativamente uma campanha [...] tornou-se legendária em sua terra."

Sobre a denúncia feita pela PF de que a Receita Federal levantou indícios de irregularidades na movimentação financeira de sua empresa, a Samos Participações, o ministro apresentou resultado preliminar de auditoria realizada pela PriceWaterhouse a seu pedido.

Segundo Walfrido, a auditoria confirmou que o capital da Samos foi constituído por quase R$ 16 milhões em dinheiro, decorrente da venda de outra empresa de Walfrido, a Biobras. A grande movimentação financeira da Samos em 2002, diz o ministro, deveu-se à aplicação dos recursos no mercado financeiro, que seria a única fonte de receita da empresa.

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Comentários dos leitores
Luís da Velosa (1447) 02/12/2009 19h41
Luís da Velosa (1447) 02/12/2009 19h41
Vou sair do Brasil, antes que ele saia de mim. Siga-me, quem for brasileiro! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 19h27
Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 19h27
O STF livrar Azeredo no julgamento do processo do mensalão mineiro, só irá piorar as coisas e nem só isso, poderá também estar manifestando à população uma idéia de que até mesmo no poder judiciário possam existir conclusões protecionistas e tendenciosas em julgamento de processos envolvendo políticos.
Se até o STF se manifesta de uma forma que se dê para tais suposições, quanto não poderá ser o alívio dos corruptos, falcatrueiros, superfaturadores e utilizadores de caixa2, entre outros?
OS POLÍTICOS, EM OCORRENDO O REFERIDO NA MATÉRIA, ESTÃO SE SENTINDO NÃO SOMENTE COM SENSAÇÃO DE ALÍVIO, COMO TAMBÉM A CERTEZA DE UMA IMPUNIDADE SEM DIMENSÕES.
sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 16h48
Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 16h48
Justiça deve ser aplicada igualmente para todos, se foram indiciados 40 mensaleiros e Azeredo praticou o mesmo ato, não há porque ele também não responda por seus atos.
O esquema é o mesmo e a base de sustentação em todas as questões dos esquemas de corrupção é a mesma, valerioduto em Minas, valerioduto no governo PTista e valerioduto no Distrito Federal, em todos existem a participação principalmente, de empresas prestadoras de serviços por concessão pública.
Se todos agem da mesma forma, não há motivos para responderem por ilícitos diferentes e muto menos serem julgados diferentemente, o que está faltando é um aparelhamento no poder judiciário, para que haja agilização na conclusão dos processos.
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