Sob protesto, ex-tucano Paes se filia ao PMDB e diz que impugnação é autoritarismo
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Sob o protesto de um grupo de jovens, o Secretário de Esportes do Estado do Rio, Eduardo Paes, se filiou hoje ao PMDB. O grupo gritava "vergonha" e "quem quer dinheiro?" e carregava cartazes com os dizeres "PMDB não é barriga de aluguel" e "Eduardo vai para o PT e leva o Cabral com você" em protesto à filiação de Paes --ex-tucano que apoiou, no segundo turno, a candidatura de Sérgio Cabral (PMDB) ao governo do Rio em 2006.
Cabral participou da cerimônia de filiação de Paes, que durou apenas 15 minutos e foi marcada por confusão e muito empurra-empurra. Outras figuras importantes do diretório do PMDB no Rio se ausentaram da cerimônia e expuseram a divisão da legenda no Estado. Entre os ausentes estavam o ex-governador Anthony Garotinho (presidente do PMDB do Rio) e o presidente da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio), Jorge Picciani.
Paes e Cabral fizeram questão de minimizar o protesto do grupo de jovens e a ausência de Garotinho e Picciani na filiação. "Os quadros do partido estavam representados. Não é uma certa meninada, que não tem a menor expressão política, que vai atrapalhar uma filiação desse quilate, desse peso", disse Cabral.
Sem citar nominalmente o nome de Garotinho, Paes e Cabral fizeram críticas ao grupo de apoio do ex-governador e de sua mulher, Rosinha Matheus (PMDB). "Essa garotada, ligada a gente sabem quem... Tem até um programinha no governo chamado 'Jovens Pela Paz' que empregava essa garotada. Mas agora está desempregada", afirmou Cabral.
Paes disse que o protesto foi "deselegante". "Seria melhor para alguém, como membro do partido, pedir a palavra e esculhambar."
Impugnação
A Folha Online apurou que líderes peemedebistas ligados a Garotinho e Picciani ameaçam impugnar a candidatura de Paes.
O Secretário de Esportes disse que a impugnação seria um ato autoritário. "Impugnação à filiação é autoritário. É um instrumento de quem tem medo, autoritário."
Já Cabral tentou minimizar a possível impugnação. "Não, não é nada disso. Impugnar por que?", perguntou. Ao ser questionado sobre o grupo de Garotinho, o governador do Rio disse: "Coitado. Deixa para lá".
Alianças
Durante os discursos, Cabral enfatizou que a vinda de Paes reforçava as alianças e a relação com o presidente Lula.
Paes afirmou que não teme ter seu nome associado ao PT, que criticou no passado --quando era membro da CPI dos Correios.
"Política se faz com aliança. Não tive aliança no ano passado porque ninguém me quis [quando disputou o governo do Rio]. O eleitor compreende o movimento de apoio ao Sérgio Cabral [a quem apoiou no segundo turno das eleições de 2006]", disse o novo peemedebista.
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