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Brasil
04/10/2007 - 14h02

Ministra afirma que "choque de gestão" não resolve administração pública

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YGOR SALLES
TATHIANA BARBAR
da Folha Online

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou de "propagandista" o termo "choque de gestão", bastante usado pelos governantes do PSDB para seus métodos de administração, e completou que tal atitude não resolve os problemas da administração pública. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, durante sabatina da Folha realizada em São Paulo.

A ministra respondeu a perguntas de quatro entrevistadores e também da platéia das 11h às 13h. Dilma foi sabatinada por Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil da Folha), Renata Lo Prete (editora do "Painel"), Valdo Cruz (repórter especial do jornal) e Eliane Cantanhêde (colunista da Folha).

Segundo Dilma, não é possível resolver todos os problemas da administração pública com um choque. "Não se muda uma gestão com um choque. Só se maquia", afirmou. Para ela, uma verdadeira mudança na gestão deve ser estrutural e demora muito mais do que um ano para ser implementada.

"Não se faz modificação estrutural sem criar centros de excelência de gestão, sem impedir o mau gasto corrente", disse. "Caso contrário, faz-se um choque, economiza-se algum dinheiro e gasta-se tudo no quarto ano [de governo]."

Sobre o aumento do número de cargos comissionados no governo atual, a ministra afirmou que o que ocorre é o aumento dos cargos de função gratificada --cargos comissionados que só podem ser ocupados por funcionários concursados. "Assim cria-se uma meritocracia", afirmou Dilma. "Se não fizermos isso, perde nossos melhores quadros."

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a criação de secretarias no governo federal não representa um inchaço da máquina pública e que o verdadeiro choque de gestão está na contratação de funcionários.

A ministra disse ainda que houve boas ações do governo de Fernando Henrique Cardoso, embora não ache que o PT deveria seguir suas premissas. "A Lei de Responsabilidade Fiscal é uma ótima lei, por exemplo", citou Dilma.

Impunidade

Dilma ainda defendeu o fim da impunidade no Brasil e afirmou não concordar com o julgamento político. Ela, no entanto, evitou comentar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de aceitar a denúncia contra os 40 envolvidos no escândalo do mensalão.

"Nós respeitamos a decisão." No entanto, ela afirmou que, "sistematicamente, vem se tentando diminuir o tamanho do PT". "O partido aprendeu muito."

Dilma também evitou comentar a decisão do plenário do Senado de absolver o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a decisão do Congresso de rejeitar a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, chefiada pelo filósofo Mangabeira Unger.

"Nós temos que respeitar as decisões. Não cabe a mim me posicionar sobre esses assuntos. Essa é uma atitude de respeito."

Segundo a ministra, sem esse respeito, as instituições não sobrevivem. "Adversários e opositores não podem ser inimigos. Eles têm que conviver."

Dilma afirmou também que a opinião pública erra. "Não podemos colocá-la acima da lei, da Justiça."

Dilma foi a sexta a participar do ciclo de sabatinas da Folha neste ano. Antes dele, o jornal sabatinou o climatologista Carlos Nobre (março), o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer (abril), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (maio), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão (junho) e o economista Delfim Netto (agosto).

Comentários dos leitores
Evandro Loes (54) 26/12/2007 17h27
Evandro Loes (54) 26/12/2007 17h27
Que bom seria se os problemas do país se resumissem na questão de ética de um dirigente partidário ser ou não ministro. Infelizmente essa questão é secundária, pois os problemas do país e do próprio governo são muito maiores. Acho que o Ministro Lupi deveria se afastar da presidência se quiser continuar no cargo governamental, porque o PDT adotou uma linha de oposição no primeiro mandato, ainda sob o comando do Brizola. O partido reviu sua posição, mas não é unanimidade no PDT o apoio ao governo. Além disso, Lula pode estar fazendo um governo razoável, mas seus erros não poderão ser contestados pelo PDT, uma vez que o presidente do partido ocupa um cargo no ministério.
Muito sábias as palavras do Sr. Guttenberg. Só vejo que se as políticas em vigor são as melhores para o país, por que não adotá-las. Já opinei em outro comentário de que não será surpresa se José Serra for o suc essor apoiado por Lula.
sem opinião
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Guttemberg Guarabyra (12) 24/12/2007 14h18
Guttemberg Guarabyra (12) 24/12/2007 14h18
Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, desembarcou do PSDB e associou-se ao PT para compor a equipe econômica, ex de FHC, que continuava mantendo o mesmo programa, agora a serviço do governo Lula. Porém, chefiando o grupo, os quadros do PT forneceram Antonio Palocci - sobre quem FHC teceu mais ou menos o seguinte comentário: "Se soubesse que o PT tinha alguém pensando a economia desse jeito, eu mesmo o teria requisitado"
Tratava-se do primeiro passo rumo à grande experiência de simbiose jamais realizada na história deste país.
A experiência progrediu quando o Bolsa Escola, da era FHC, e seus primos se metamorfosearam no Bolsa Família. O Fundef, da era FHC, mudou apenas uma simples letra, e grafou Fundeb, para firmar a simbiose mais simples da série. O programa Luz no Campo (maior programa de eletrificação rural do mundo, da era FHC) transformou-se, num só golpe simbionte no melhor estilo petista, em Luz para Todos. Agora, só falta o PSDB apoiar a recriação da CPMF e Lula continuar privatizando (coisa que jurava que jamais faria) para que a barba do presidente acabe dotando de cabelos a careca de José Serra, numa simbiose perfeita. Apresentando um fenômeno de simbiose desses, o Brasil, que jamais obteve o prêmio, ano que vem terá condição absoluta de ganhar o Nobel de Ciência. Ou, no mínimo, o Oscar de melhor comédia.
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