Governista vai negociar com líderes a votação da CPMF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Determinados a aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2011, os governistas evitam os riscos. Até as 18h30, o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), vai conversar com os líderes e acompanhar o registro de presenças na Casa para depois decidir se a proposta deve ser colocada em votação ainda hoje.
A idéia é só colocar a PEC em votação se houver mais de 460 deputados no plenário da Câmara. Inicialmente, a votação da proposta está prevista para as 19h05. De acordo com Múcio, se o número for inferior a 460 presentes, o objetivo será votar a MP (medida provisória) que trata de benefícios para os trabalhadores rurais. Se o quórum for considerado elevado, o governo deverá retirar a MP que tranca a pauta de votação e deixá-la livre para discussão --e votação da CPMF e da DRU.
"Vou conversar com os líderes para tomar a decisão de retirar ou manter a medida provisória", disse Múcio.
Durante a tarde desta terça-feira, ele vai conversar informalmente com os deputados e também por telefone. Na sua opinião, as conversas são mais produtivas do que longas reuniões.
Antes da votação da PEC, os deputados terão ainda de tratar da redação final da MP do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). No que depender da oposição, liderada pelo DEM, as discussões serão bastante demoradas. O líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), afirmou que a oposição vai obstrutir as votações em plenário.
Para aprovar a PEC da CPMF e da DRU, o governo precisa garantir, no mínimo, 308 votos favoráveis. O esforço dos governistas é assegurar a conclusão da votação até amanhã para em seguida, enviar ao Senado.
Pela Constituição, a vigência da cobrança da CPMF acaba no dia 31 de dezembro. Daí a pressa do governo em garantir a aprovação da proposta o mais rápido o possível. Também no Senado, a PEC tem de ser submetida a dois turnos de votação.
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