Brasil
10/10/2007 - 17h55

Diretor da Schincariol nega irregularidade na compra de fábrica de irmão de Renan

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O diretor de Relações Institucionais da Schincariol, José Domingues Francischinelli, negou nesta quarta-feira que a empresa teve uma dívida de R$ 100 milhões e que ela teria sido negociada com apoio de parlamentares. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, é acusado de ajudar a reverter uma suposta dívida da Schincariol com o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social).

"Não temos essa dívida. Há outras pequenas dívidas, mas nada relevantes", afirmou Francischinelli, durante depoimento no Conselho de Ética da Câmara.

Segundo ele, a empresa tem uma divida de R$ 18 milhões de responsabilidade social referente a fábricas em Pernambuco e Goiás, mas nada em Alagoas.

No depoimento, Francischinelli confirmou ainda que a Schincariol doou cerca de R$ 8 milhões para vários políticos investirem em suas campanhas eleitorais. Entre os beneficiados está o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, que teria sido favorecido com o repasse de R$ 200 mil.

Francischinelli depôs no Conselho de Ética porque Olavo Calheiros é investigado na Câmara sob suspeita de ter superfaturado a venda de uma fábrica de sua propriedade na negociação com a Schincariol em troca de uma ajuda de Renan para reverter dívidas da empresa, além de tráfico de influências.

Compra

Francischinelli negou ainda que a compra da fábrica de Olavo --denominada Conny, em Murici-- tenha sido adquirida com preço acima do mercado, como denunciado à Câmara e ao Senado.

De acordo com ele, a empresa negociou com o deputado em 2006 e a compra foi feita de forma transparente.

O empresário disse que a Schincariol comprou a fábrica de Olavo por R$ 17 milhões --abatidas dívidas e concedidos os descontos.

Para o pagamento, foi negociado o repasse em parcelas até junho de 2009 com base na média do INPC e IGPC. Mas 20% do total, aproximadamente R$ 3,5 milhões foram pagos no momento da compra. "A compra não foi superfaturada. Com essa condição de pagamento e a maneira como foi feita a negociação elimina [as suspeitas levantadas]", disse o empresário, em pouco mais de uma hora e meia de depoimento aos deputados.

Reações

Na próxima quarta-feira, o relator do processo no Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), e o presidente do órgão, Ricardo Izar (PTB-SP), viajam até Murici (AL) para examinar a fábrica e o local onde ela funciona. Acompanhará os deputados um perito especialista em tributação.

Araújo negou que esteja se sentindo pressionado a apressar seu relatório sobre Olavo em decorrência do impasse que ocorre no Senado por causa das denúncias em torno de Renan.
"Não estou me sentindo pressionado. Mas não quero atrasar [a entrega do relatório]. Também não vou deixar de fazer diligências", disse o relator.

Izar, no entanto, desabafou sobre as investigações que o Conselho de Ética terá de realizar. Segundo ele, os processos remetidos ao órgão devem vir de forma mais completa, pois faltam mecanismos para realizar diligências e apurações mais complexas. "Está ficando cada vez mais difícil. O Conselho de Ética não é delegacia de polícia nem Ministério Público, não temos meios para isso."

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Comentários dos leitores
elmar oliveira (24) 25/06/2009 19h04
elmar oliveira (24) 25/06/2009 19h04
Negativo... tem que ser em sessão aberta e transmitida para todo o Brasil, inclusive pelos canais abertos. sem opinião
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elmar oliveira (24) 25/06/2009 19h02
elmar oliveira (24) 25/06/2009 19h02
Dessa lista aí, ainda consta o GRANDE CARA DE PAU do Tocantins, Sen Quintanilha, com uma vasta folha de bons....................processoa a responder. sem opinião
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Felipe Pereira (7) 22/06/2009 23h49
Felipe Pereira (7) 22/06/2009 23h49
Os políticos brasileiros são os mais caros do mundo, pois recebem muito para não fazerem nada, a não ser para sí proprios. Reforma política já, com menos vagas em todas as esferas do poder legislativo. sem opinião
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