Brasil
17/10/2007 - 09h26

Coordenador de Azeredo diz que caixa 2 é "segredo de tesoureiro"

THIAGO GUIMARÃES
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Coordenador-geral da campanha à reeleição, em 1998, do então governador de Minas Gerais e atual senador Eduardo Azeredo (PSDB), o advogado e ex-deputado Carlos Eloy Guimarães, 72, afirmou que a prática de caixa dois em campanhas eleitorais é uma espécie de segredo de tesoureiro, restrito ao setor financeiro.

"O caixa dois de uma campanha é igualzinho ao que uma empresa privada faz: tesoureiro vai contar para alguém? Você já viu tesoureiro de empresa contar que fez caixa dois?", disse Guimarães, ao negar que soubesse do caixa dois --que incluiu, segundo a Polícia Federal, dinheiro público desviado-- na campanha que coordenou.

Indiciado sob suspeita de peculato (crime de servidor público que usa o cargo para desviar recurso em seu proveito ou de outra pessoa) no inquérito da PF que apurou o suposto esquema do valerioduto tucano de 1998, ele afirmou que atuou apenas como coordenador político da campanha, embora tenha sido, oficialmente, o coordenador-geral da empreitada.

Para o trabalho político naquele ano, disse ter recebido ajuda de Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG), então vice-governador de Azeredo e hoje ministro de Relações Institucionais do governo Lula.

Walfrido é suspeito de ter participado do comando financeiro da campanha --ele diz que participou apenas de conversas preliminares. Também quitou, por meio do empresário Marcos Valério, dívida de R$ 700 mil de Azeredo com Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha --Walfrido afirma que o fez por amizade ao senador.

"O Walfrido sempre participou [da campanha de 1998]. Sempre tratei com ele de assuntos políticos, financeiros nunca. O Walfrido é um espírito político, gostava muito de analisar pesquisas", afirmou Guimarães, ex-secretário de Obras de MG (1979-1982) e deputado estadual por quatro mandatos (1962-1978) e federal por dois (1978-1986), pelos extintos UDN e Arena e pelo PFL (atual Democratas).

Segundo a PF, pelo menos R$ 28,5 milhões em recursos irregulares financiaram a campanha de Azeredo e de aliados em 1998, em esquema operado por meio de agências de publicidade de Valério --o chamado valerioduto tucano.

Os gastos declarados à Justiça eleitoral foram de apenas R$ 8,5 milhões --Mourão reconheceu que as despesas chegaram a R$ 20 milhões, mas isentou Azeredo de responsabilidade pelo caixa dois. O ex-tesoureiro não foi localizado pela Folha.

Para a PF, a "estratégia de financiamento contava com o evidente conhecimento e beneplácito da coordenação da campanha", o que Guimarães nega.

Ele reafirma tese da defesa de Azeredo ao dizer que o caixa dois do PSDB em Minas em 1998 não guarda relação com o esquema de compra de votos pelo PT no Congresso investigado pela PF no escândalo do mensalão.

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Comentários dos leitores
Carlos José dos Santos (54) 11/10/2008 13h03
Carlos José dos Santos (54) 11/10/2008 13h03
Quanto dinheiro gasto com investigação, prende solta, prende solta, prende solta, prende solta.
É preferível a decretação oficial do fim da Justiça do que essa pseudo justiça.
Se todos tivessem a certeza de que a justiça no Brasil não funcionaria tanto para o rico quanto para o pobre, cada um ia fazer sua propria justiça, não ficando esperando uma justiça que não funciona para todos.
Cada um procuraria se garantir com a justiça das proprias mãos.
Com Essa pseudo justiça que temos, o cidadão de bem sais prejudicado, pois fica esperando uma justiça que não vem enquanto os maus continuam agindo e se beneficiando da impunidade.
Que venha a Justiça Divina....
sem opinião
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Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Parabéns, Júlio Moraes. Seu comentário é de uma lucidez brilhante. Temos que lutar para que tudo isso seja colocado em prática em nossa Educação. Muitos políticos descompromissados com a Nação já caíram e devemos tentar evitar que os que ainda estão na esfera do poder não contaminem os que estão entrando, afim de varrermos de nossa história essa praga chamada corrupção. Não podemos nos deixar convencer pelas mídias tendenciosas, movidas e financiadas pelo capitalismo inescrupuloso. Com um Ensino melhor, teremos bons eleitores no futuro. Consequentemente, serão eleitos políticos de melhor caráter e que trabalhem, de fato, pensando no país. Isso pode render bons frutos para todos, incluindo nossos filhos. Parabéns, de novo, pelo seu comentário. É raro ver aqui alguém falar com tamanha lucidez. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 17h45
Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 17h45
APENAS UMA OBSERVAÇÃO:

Por qual motivo será que o chefe do Valérioduto é preso e não acontece o mesmo com aqueles que participaram do esquema de corrupção ou desvio de recursos?
IMPUNIDADE, PURA IMPUNIDADE!!!
sem opinião
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