Brasil
17/10/2007 - 18h32

Em busca de acordo, governo oferece isenção de CPMF; oposição rejeita acordo

GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Em busca de um acordo para aprovar sem modificações o texto original da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011 no Senado, o governo ofereceu uma proposta para os líderes partidários de oposição. Pela proposta, o governo isentaria da cobrança da CPMF os trabalhadores com renda mensal de até R$ 1.700.

A oposição, entretanto, sinalizou que não pretende aceitar assim fácil qualquer proposta do governo. "Só agora, depois da posição contrária que adotamos, estão fazendo essa oferta. É claro que não vamos aceitar. O governo já havia pactuado a alíquota de 0,08% para a CPMF. Gato escaldado tem medo de água fria. Essa proposta não nos satisfaz. Desta vez, queremos proteger o contribuinte mais pobre", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que não dá para confiar nessa oferta do governo. "Como vamos confiar no governo? O que nós queremos é o fim da contribuição. O governo promete, depois não faz nada."

A desconfiança da oposição se baseia no fato da proposta de isenção precisar ser ratificada por meio do envio de um projeto de lei ao Congresso. Como a tramitação do projeto de lei é lenta, a oposição desconfia que a matéria poderá não sair do papel.

O governo federal poderá isentar da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para quem recebe até R$ 1.200 mensais, com a possibilidade de elevar a isenção para quem tem salários de até R$ 1.700. A exclusão da cobrança valeria para quem tem duas contas bancárias --uma delas sendo poupança--, evitando, assim, a cobrança do 'imposto sobre cheque'.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM), afirmou que nem considerou a alternativa como possibilidade de negociação.

Segundo ele, os tucanos querem reduzir a alíquota de 0,38% e diminuição da carga tributária de uma forma geral no país. "Para o PSDB, é tudo conto da Carochinha. Nós não vamos cair de novo nesse conto", disse.

A proposta foi apresentada nesta terça-feira durante reunião do presidente em exercício, José Alencar, com os líderes partidários no gabinete do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC). Participaram do encontro os ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais).

Inicialmente, o governo oferecia uma isenção para quem ganhasse até R$ 1.200 por mês. Diante da resistência da oposição, o governo acena com a possibilidade de elevar essa isenção para a faixa salarial de até R$ 1.700. A isenção seria dada para quem tem até duas contas bancárias --sendo uma deles de poupança.

Negociações

Apesar da postura inflexível da oposição, os governistas esperam conseguir a aprovação da PEC da CPMF até o final do ano. "Acho que se construiu um clima positivo para a votação. O peso do Senado estava completo na reunião, o que abre brechas para discutirmos a matéria", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou que a alternativa seria conduzida paralelamente às discussões para a votação da CPMF.

Segundo ele, a sugestão ainda é embrionária e precisa de mais detalhamento. O petista disse que outra alternativa é desonerar os impostos dos investimentos --no caso de compra de máquinas e equipamentos.

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Comentários dos leitores
Cícero Ferreira (4) 12/08/2008 18h08
Cícero Ferreira (4) 12/08/2008 18h08
Houve uma luta tão grande pela democracia: derramamento de sangue, apelos â imprensa,etc. Muitos que foram exilados ou posso dizer, todos, retornaram ao País com o fim da ditadura, assumiram o governo e praticaram uma verdadeira carnificina. Quantos inocentes morreram na miséria, na pobreza, principalmente, antes do governo LULA, ou seja, desde 1988 até o governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejam, todos que se diziam democráticos, se utilizaram desse nome para se envolver em corrupções, máfia, milícias, etc, ou seja, além de usar de manhas e artimanhas para se elegerem, se utilizam de barganhas para se beneficiarem diante pessoas inocentes, ignorantes, sem conhecimento de causa. Existem um verdadeiro "MAR DE LAMA", infelizmente, nos tres poderes, porquanto esse alicerce foi abalado pela invasão de corruptores e corruptos que pouco estão se importando o q a imprensa irá divulgar, na certeza da impunidade para os de grande poder aquisitivo. Onde está o princípio da igualdade? Vejam, hoje, a violência aumentou assustadoramente. Tem gente morrendo como morre um inseto. O ser humano perdeu o seu devido valor. Façam uma enquete sobre o percentual de simpatizantes querendo a volta do antigo regime e tire suas conclusões. Assessores do Daniel Dantas disse na gravação q o problema não está no STJ ou no STF, mas sim, na 1ª instância. A quem podemos apelar? A quem podemos confiar? Creio q o Poder Judiciário já foi abalado, perdeu sua credibilidade. Fica aí a minha indignação. Obrigado sem opinião
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SAO PAULO / SP
Caros,
Solicito a ampliação da matéria sobre os vice-prefeitos da cidade, incluindo TODOS os partidos que participam das eleições e não somente alguns partidos. Faz parte da democracia ouvir todas as propostas e conhecer todas as forças políticas.
Cristiane
sem opinião
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Cícero Ferreira (4) 18/07/2008 19h20
Cícero Ferreira (4) 18/07/2008 19h20
A maior injustiça é a desigualdade de tratamento as pessoas que cometem crimes, pois não existe seriedade quando se trata de punição a pessoas com poder aquisitivo alto, porquanto a lei é prevista para todo mundo independente de status social, mas o que se tem visto é um verdadeiro mar de lama em todos os segmentos no que diz respeito aos três poderes. Infelizmente existem semi-deuses da terra que não são imparciais nas suas decisões. Apelam para o lado pessoal e que muitas pessoas são execradas e rechaçadas por uma sociedade corrupta e podre e como já dizia, na década de 40, o Presidente Francês De Gaulle:"O brasil não é um País sério". Será que ele tinha razão? 13 opiniões
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