PSDB cobra proposta do governo para abrir negociação sobre votação da CPMF
TATHIANA BARBAR
da Folha Online
Sem fechar questão sobre a orientação que será dada à bancada do PSDB na votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011, a cúpula tucana preferiu cobrar do governo a apresentação de uma proposta para negociar um acordo. No Senado, a PEC, pela expectativa do governo, deve ser votada até 23 de dezembro.
"Não fechamos questão. Estamos aguardando que o governo desça do pedestal e veja se tem algo para nos propor, que seja aceitável e palatável para a sociedade", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), após encontro da cúpula tucana no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Virgílio afirmou que esse acordo depende de uma negociação sem ameaças e sem prepotência. "Não venha o ministro [da Fazenda, Guido] Mantega com terrorismo infantil. Não venha o governo com prepotência. Estamos abertos a negociar. E se não der em nada, é porque o governo não quer aliviar a carga tributária no bolso do brasileiro."
Além de Virgílio, participaram do encontro os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais), os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), e o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio. Virgílio foi o porta-voz do grupo.
Virgílio disse que o partido não aceitará negociar qualquer proposta e ameaçou enfrentar o governo na votação da CPMF. "Estamos aguardando o que o governo tem para propor. Se não tiver [nada para apresentar], que não proponha [essa negociação] e nos enfrente no voto e no número."
O tucano disse que o governo não conseguirá aprovar a PEC sem os votos dos tucanos no Senado. "A CPMF não passa sem os votos do PSDB. Por isso não queremos conversar com pouca seriedade."
Por telefone, Pannunzio disse que os senadores do partido estão dispostos a rejeitar a proposta. "Para aceitar qualquer tipo de negociação, o PSDB precisa de uma proposta que acene com a redução da carga tributária e das despesas públicas, além da desoneração de impostos."
Virgílio indicou que essa negociação é um sinal de tolerância da cúpula do PSDB com o governo, já que os senadores estão dispostos a rejeitar a PEC. "O diálogo é uma teimosia nossa [do comando]. Se não houver proposta, a gente se alinha com os senadores."
Questionado sobre que tipo de proposta o PSDB estaria disposto a negociar, Virgílio afirmou que cabe ao governo apresentá-la. "Achamos que está na hora de provocar o rebaixamento da carga tributária. Está na hora de forçar o governo a gastar menos. Ele dilapida os recursos públicos porque gasta demais", afirmou ele.
Segundo ele, o PSDB quer defender a competitividade da economia, as exportações futuras e prevenir o Brasil da crise fiscal. "Nosso interesse é defender a sociedade da gula tributária do governo."
Questionado se era possível governar o país a partir de 2011 sem a arrecadação da CPMF, Virgílio disse que sim. O PSDB terá candidato próprio nas eleições presidenciais de 2010. Entre os possíveis presidenciáveis estão Serra e Aécio.
Virgílio também alfinetou o PT e disse que o PSDB não vai aceitar que o governo venha dizer que precisa da CPMF para sobreviver e ao mesmo tempo "contratar 60 mil petistas no ano que vem".
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Aliados querem CPMF de 0,30% até 2010
- Paulo Bernardo acena com redução futura na alíquota da CPMF
- Presidente do Senado diz que governo aceita redução gradual da alíquota da CPMF
- Em busca de acordo, governo oferece isenção de CPMF; oposição rejeita acordo
- Líder do DEM critica Lula por chamar integrantes do seu partido de "demos"
- Alencar diz que governo não pode ser irresponsável e perder CPMF
Especial


avalie fechar
GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
avalie fechar
avalie fechar