Mesa do Senado deve arquivar representação contra Azeredo por mensalão tucano
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Mesa Diretora do Senado deve arquivar nesta terça-feira a representação do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de integrar o chamado valerioduto tucano --esquema de caixa dois de campanhas eleitorais em Minas. Integrantes da Mesa ouvidos pela Folha Online avaliam que como as denúncias se referem a supostos fatos cometidos por Azeredo antes de assumir o mandato no Senado, elas não configuram quebra de decoro parlamentar.
Além de descartar as investigações sobre Azeredo, a Mesa também caminha para arquivar a sexta representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual ele é acusado de apresentar uma emenda que permitiu o repasse de R$ 280 mil para uma empresa fantasma.
Integrantes da Mesa avaliam que a sistemática de liberação de emendas parlamentares não permite saber ao certo a utilização dos recursos pela empresa beneficiada --já que a emenda pode ser repassada por uma prefeitura ou governo para o destinatário final. Os senadores estão divididos em relação ao arquivamento da representação contra Renan, mas negam que tenham feito uma espécie de "acordão" para beneficiar Azeredo e o presidente licenciado do Senado ao mesmo tempo.
"Eu repudio qualquer tipo de acordo. Trata-se de uma questão ética, temos que verificar se houve quebra de decoro parlamentar ou não. Não há motivo para barganhas, trocas de interesse. Não se está em um balcão de negócios. Moeda de troca, nesse caso, não aceitamos", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Integrantes da Mesa são acusados de estar negociando um acordo para arquivar os dois processos simultaneamente --já que a oposição é contra a abertura de processo para investigar Azeredo, enquanto os aliados de Renan não desejam mais um processo contra o peemedebista.
Na opinião de Dias, que integra a Mesa Diretora, as denúncias contra Renan exigem investigações no Conselho de Ética. "É claro que a denúncia é grave, tem que ser investigada."
Mesmo sem ter posição formada sobre o processo contra Renan, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) disse acreditar na possibilidade de arquivamento da representação. "Não temos poderes para destinar emendas para empresas, nem liberar ou mesmo direcionar. Se não houver comprovações, tem que haver consistência nas denúncias. Quem errou pode ter sido o executor, não o senador", disse.
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