Brasil
23/10/2007 - 08h19

Cresce tensão entre governo e produtores no Paraná

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MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha

O confronto entre trabalhadores sem-terra e seguranças na fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds acirrou ainda mais a já conturbada relação entre o governo do Paraná e produtores rurais no Estado.

O governador Roberto Requião (PMDB) é alvo de críticas por ter declarado apoio ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que, segundo ele, é "satanizado" pela mídia.

Em 2003, Requião não destacou força policial para conter a invasão de pedágios de rodovias do Estado promovidos por sem-terra e, desde então, vem travando uma queda-de-braço com concessionárias que administram rodovias do Estado para revisar contratos e baixar o preço das tarifas de pedágio.

Em 2005, criou, em parceria com MST, Via Campesina e governo da Venezuela, a Escola Latino Americana de Agroecologia. No ano passado, determinou a desapropriação da fazenda da Syngenta em Santa Tereza do Oeste e prometeu instalar uma unidade de pesquisa em sementes e agroecologia no local, mas o decreto foi anulado pela Justiça.

"A relação de amizade e conivência com o movimento é explícita e, de alguma forma, levou ao que aconteceu na Syngenta. A empresa é invadida, sofre atos de vandalismo e o governador poupa os sem-terra. É uma posição ideológica e irresponsável, incompatível com o cargo dele", disse ontem o presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia.

Nabhan Garcia condenou o uso de armas pelos seguranças, mas disse que a empresa "tem o direito de se defender". "Quando não se faz justiça, é o que acontece."

A subseção de Cascavel da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também fez críticas ao governo estadual. Em nota, disse que o episódio "reflete o descaso com que o tema Syngenta vem sendo tratado pelo governo". A entidade acusou o governo de ser "fraco" e não cumprir a legislação. "Se o governo agisse com seriedade, nada disso teria acontecido".

A assessoria do governo afirmou considerar "desprezíveis e ofensivas" as declarações dos ruralistas. "Requião foi o governador que mais acatou decisões judiciais. O que ele não fez, e talvez fosse do gosto da UDR, foi massacrar e assassinar militantes de movimentos. O governo não vai tolerar ações de pistoleiros." Em cinco anos, o governo Requião promoveu 172 desapropriações de terras no Estado, segundo a Secretaria da Segurança do Paraná.

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Comentários dos leitores
Edvaldo Freitas (1) 22/11/2009 16h50
Edvaldo Freitas (1) 22/11/2009 16h50
O MST é um movimento com atitudes criminosas e deveriam ser tratados como tal. Não podemos concordar com este movimento, que não passa de um modelo de crime organizado. sem opinião
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O Pacificador (183) 19/11/2009 20h18
O Pacificador (183) 19/11/2009 20h18
O MST é claramente um movimnto de guerrilha do campo.
Ou seja, são terroristas, organizados e descaradamente financiados, por certos setores do governo.
Existem montanhas de provas nesse sentido, e ninguém faz absolutamente nada.
As "autoridades" fazem de conta que não vêm, porque se mexerem nisso, esbararão rapidamente em conhecidas figuras da nossa política.
Uma hora qualquer, se nada for feito, os que são atacados por essas quadrilhas, não terão outra alternativa, a não ser partir para o revide.
É só uma questão de tempo, e pelo jeito é exatamente isso o que estão querendo ...
1 opinião
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Alziro Ribeiro da Silva (38) 18/11/2009 09h03
Alziro Ribeiro da Silva (38) 18/11/2009 09h03
Reforma agrária é coisa séria,nem tanto vem se tratando deste assunto como sendo politica entre produtores e enteressados do MST,a continuar assim nunca terá fim e a briga continuará.!!! sem opinião
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