Multinacional invadida nega emprego de pistoleiros
da Agência Folha
Colaboração para a Agência Folha, em Cascavel
A Syngenta Seeds afirmou ontem que a NF Segurança, empresa para quem trabalhavam os seguranças detidos após o tiroteio com sem-terra em Santa Tereza do Oeste (PR), havia sido contratada pela multinacional e que "não faz sentido" a versão de que os funcionários seriam pistoleiros contratados por movimentos de proprietários rurais da região.
Em nota, disse que jamais autorizou o uso de força ou armas pelos seguranças que trabalham na estação experimental de Santa Tereza do Oeste. Segundo a empresa, existe uma clausula de contrato com a empresa que proíbe o trabalho armado dos vigilantes.
A empresa lamentou que "seres humanos tenham sido feridos ou mortos" no confronto.
Ainda segundo a Syngenta, a multinacional está colaborando com as autoridades policiais que investigam o caso. A empresa disse que voltará a se pronunciar quando obtiver informações oficiais sobre o confronto. Informou também que o incidente foi um fato isolado e que a ação de sem-terra não fará com que a empresa estude mudar suas atividades no país.
O advogado da empresa NF Segurança, Hélio Ideriha Junior, disse que não vai se manifestar sobre o confronto para "não criar um bate-boca público em torno do assunto". Ele questionou, no entanto, o tratamento da polícia. "É uma situação semelhante de ambos os lados. Respeitamos o trabalho da polícia, mas não podemos deixar de questionar o tratamento diferenciado. Houve um morto de cada lado", disse ele sobre as prisões.
Sete seguranças foram presos e encaminhados ao CDR (Centro de Detenção e Ressocialização) de Cascavel. Nove sem-terra envolvidos no confronto prestaram depoimento, mas todos foram liberados. A polícia diz que não ficou caracterizado o flagrante pelo fato de os sem-terra se apresentarem espontaneamente.
De acordo com o MST, Valmir Mota de Oliveira, o sem-terra morto no confronto, junto com outros dirigentes, estava sendo ameaçado de morte por ruralistas. Para o MST, o ato foi praticado por uma milícia armada e a ação foi um "massacre".
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