Brasil
23/10/2007 - 13h12

Mesa arquiva processo contra Azeredo e adia 6ª representação contra Renan

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Por unanimidade, a Mesa Diretora do Senado decidiu arquivar a representação do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), na qual o partido pedia a investigação do tucano com o esquema do mensalão. A Mesa também decidiu sobrestar (adiar) a decisão de encaminhar a sexta representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Folha Imagem
Renan pede licença de dez dias ao Senado depois de se afastar da presidência da Casa
Renan pede licença de dez dias ao Senado depois de se afastar da presidência da Casa

A decisão de sobrestar a representação contra Renan foi dividida: três senadores votaram pelo adiamento, dois pelo arquivamento e dois pelo encaminhamento ao Conselho de Ética.

Na sexta representação contra Renan, ele era acusado de apresentar uma emenda que permitiu o repasse de R$ 280 mil para uma empresa fantasma.

Integrantes da Mesa disseram para a Folha Online que a sistemática de liberação de emendas parlamentares não permite saber ao certo a utilização dos recursos pela empresa beneficiada --já que a emenda pode ser repassada por uma prefeitura ou governo para o destinatário final.

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), deu sinais ontem de que defendia o sobrestamento da decisão de enviar a sexta representação contra Renan até a conclusão das demais investigações.

Segundo Viana, o "sobrestamento" da decisão até que o conselho conclua os demais processos que tramitam contra o peemedebista no órgão não traz prejuízos às investigações.
"Eu penso que não [pegaria mal] se for essa decisão da Mesa [de sobrestar]. O caso pode ser encaminhado na hora oportuna ao conselho. Se evitaria mais um aglomerado de caso de denúncia, notificação ou defesa sem que, com isso, possa trazer qualquer benefício a uma conclusão mais breve do caso do senador Renan", defendeu ontem.

Na prática, a Mesa adiou a decisão de encaminhar o sexto processo contra Renan. A Mesa, nesse caso, fica com o processo em mãos esperando a conclusão dos demais antes de definir sobre seu envio ao conselho.

Licença

Renan pediu ontem dez dias de licença do mandato parlamentar. Isolado e enfraquecido por uma série de denúncias, Renan pediu no último dia 11 uma licença de 45 dias da presidência do Senado. Desde então, ele não apareceu mais no Senado para trabalhar.

Essa nova licença não será somada ao período de 45 dias. Representa apenas uma justificativa para a ausência de Renan por dez dias nas próximas sessões do Senado.

Oficialmente, interlocutores de Renan dizem que ele usará o período da licença para fazer exames médicos de rotina --que ele costuma fazer anualmente.

Nos bastidores, entretanto, aliados de Renan disseram que ele teme retomar agora suas atividades como parlamentar no Senado. A Folha Online apurou que Renan avalia que o clima não é dos melhores e o peemedebista teme ser prejudicado nos desdobramentos dos processos que tramitam contra ele.

Azeredo

Integrantes da Mesa ouvidos pela Folha Online avaliam que as denúncias contra Azeredo se referem a fatos supostamente cometidos antes dele assumir o mandato no Senado e por isso não configurariam quebra de decoro parlamentar.

Os senadores negaram que tenham feito uma espécie de "acordão" para beneficiar Azeredo e o presidente licenciado do Senado ao mesmo tempo. "Eu repudio qualquer tipo de acordo. Trata-se de uma questão ética, temos que verificar se houve quebra de decoro parlamentar ou não. Não há motivo para barganhas, trocas de interesse. Não se está em um balcão de negócios. Moeda de troca, nesse caso, não aceitamos", disse Álvaro Dias (PSDB-PR).

Integrantes da Mesa foram acusados de estar negociando um acordo para arquivar os dois processos simultaneamente --já que a oposição é contra a abertura de processo para investigar Azeredo, enquanto os aliados de Renan não desejam mais um processo contra o peemedebista.

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Comentários dos leitores
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
Márcio Cardoso (3) 23/05/2008 01h35
SALVADOR / BA
BARSÍLIA CONSEGUE SER PALCO DOS CRIMES PERFEITOS, CONTRARIANDO AS TESES. É UMA VERGONHA. VOTAR É OBRIGATÓRIO, MAS JULGAR PODRES POLÍTICOS TEM QUE SER SECRETO E A MARGEM DA OPINIÃO PÚBLICA. ONDE IREMOS PARAR? O QUE MAIS VAMOS ENGOLIR? O BRASILEIRO É MUITO PACIENTE, OU SERIA INCONSCIENTE? MEUS FILHOS AINDA VÃO SOFRER MUITO. sem opinião
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Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
Luiz Stephano De Módena (1211) 25/02/2008 06h58
GUARUJA / SP
Enquanto a impunidade reinar neste país, servindo de alicerde para todo tipo de imoralidade e de corrupção, esse tipo de conduta e desrespeito dos maus políticos ao cidadão brasileiro, será sempre uma rotina, que na gíria seria definido como "tipo" é "normal".
A que ponto chegamos....
77 opiniões
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Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Antonio Fouto Dias (1327) 24/02/2008 17h36
Boa Tarde, Sr. Marco Carneiro, 24/02-11h02 - Quanto a questão que o senhor coloca na conclusão de vosso comentário, ó senhor mesmo coloca a resposta no seu teor. Supostamente, só pode mesmo ser pela GRANA que envolve cada ministério ou cada empresa estatal que tudo fazem para que partidários exerçam suas funções na administração dos mesmos. Um dos partidos que mudou de rumo e para pior, foi o PMDB, que já teve em suas fileiras, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, entre outros e que daquele tempo de MDB, restam muitos poucos, como Pedro Simom, Jarbas Vasconcelos e Mão Santa. Este PMDB, dava a alma em defesa dos interesses nacionais e não queriam nada por isso, entretanto de uns tempos para cá, só sabem e exigir vantagens para votar em projetos de interesse do Governo. Pelo que o senhor escreve, pensamos a mesma coisa nesse aspécto de indoneidade na política. Eu tenho uma opinião, em que encontrei adeptos e opositores, mas, julgo importante, de que, através de contato numa rede ou por e-mails, juntássemos forças para colocar em prática o que pensamos, quanto a políticos corruptos. A imprensa está fazendo sua parte, mas na hora H, não irá querer divulgar nomes e isso cabe a nós fazê-lo, para que possamos evitar a reeleição de muitos desses que se apoderam de recursos públicos.
Muito Grato por vossa opinião.
Bom final de domingo Sr. Marco.
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