Mantega se irrita com pergunta sobre CPMF após encontro de Lula com empresários
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) se irritou com as perguntas dos jornalistas sobre CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) após a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cerca de cem empresários, no Palácio do Planalto. Ele disse que o "assunto CPMF" não precisa ser tema obrigatório de todas as reuniões.
"Vocês [jornalistas] têm idéia fixa. Vou tratar sobre isso na reunião do Conselho Político", disse o ministro, referindo-se à reunião que participaria logo depois.
Segundo empresários, o presidente Lula não mencionou a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011 na reunião de hoje. A PEC está no Senado, onde esbarra na resistência da oposição em aprovar a medida.
"Ninguém é a favor da CPMF. Mas há um reconhecimento generalizado de que é um mal necessário", afirmou José Carlos Pinheiro Neto, da General Motors.
No entanto, a maior parte dos empresários que participou da conversa com o presidente e os ministros se referiram à CPMF.
Para José Carlos Grubisch Filho, do grupo Braskem, a manutenção da cobrança da CPMF deve vir acompanha de compensações para os empresários.
Além de Mantega, também participaram da reunião os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento) e Miguel Jorge (Desenvolvimento). O encontro durou cerca de duas horas e meia.
Redução gradual
O presidente do conselho do Grupo Gerdau, Jorge Johannpeter Gerdau, disse que o ideal seria a redução gradual da alíquota de 0,38% da CPMF. Para ele, a redução ideal deveria começar a partir de 2008. De acordo com o empresário, a redução poderia ser de 0,04 ponto percentual, com alíquota de 0,35% já a partir do ano que vem.
O vice-presidente sênior do Itaú, Alfredo Setúbal, também defendeu a redução da gradual da alíquota da CPMF. Já Luiza Trajano, da Magazine Luiza, disse que sua preocupação não é com a prorrogação da cobrança da contribuição, mas com a diminuição de impostos.
O presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, defendeu a redução de impostos em nome do desenvolvimento do país. "Reduzir imposto, aumenta consumo, e elevando o consumo há mais desenvolvimento no país", afirmou.
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