Comissão da Câmara aprova adesão da Venezuela ao Mercosul
REGIANE SOARES
da Folha Online
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta quarta-feira o parecer favorável à adesão da Venezuela ao Mercosul. Dos 30 deputados que integram a comissão, apenas 16 votaram: 15 a favor e uma abstenção. Parlamentares do PPS, DEM e PSDB participaram da discussão, mas entraram em obstrução no momento da votação.
Segundo o relator do parecer, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), foram mais de cinco horas e meia de debates sobre os problemas internos da Venezuela e o comportamento do presidente Hugo Chávez. "Deveríamos discutir as vantagens e as desvantagens da adesão. Mas isso não ocorreu", afirmou o petista.
Entre as questões discutidas pelos deputados foi a aprovação, pela Assembléia Nacional da Venezuela na semana passada, da reforma constitucional proposta por Chávez que amplia o mandato presidencial de seis para sete anos e permite a reeleição ilimitada do presidente.
Na avaliação de Dr. Rosinha, quando um país adere ao bloco comercial, o que está em discussão é o seu aporte econômico e político, e não a entrada de um presidente. "Por mais que o Chávez possa ser eleito várias vezes, um dia ele não será mais presidente", afirmou o deputado, ao ressaltar que as reformas ainda vão passar por um referendo popular.
Um dos deputados que mais trabalharam pela o adiamento da sessão e a obstrução dos trabalhos foi o deputado Claudio Cajado (DEM-BA).
O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) definiu o resultado da votação como uma vitória para a diplomacia entre o Brasil e a Venezuela. "Foi uma vitória para a integração física, econômica, política e diplomática", afirmou o comunista, que na semana conduziu um grupo de empresários venezuelanos para conversar com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC).
Para amenizar a resistência de alguns parlamentares, a Câmara Venezuelana de Comércio enviou cartas para todos os deputados e para governadores de 16 Estados defendendo a entrada do país ao Mercosul.
Com a decisão, a Comissão de Relações Exteriores ratifica o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, assinado em julho do ano passado. Agora, a mensagem encaminhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Câmara pedindo análise do protocolo se transforma em projeto de decreto legislativo e segue para a apreciação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e depois para discussão e votação no plenário da Casa. somente após esse trâmite o projeto vai para o Senado.
Relação
A relação entre o Congresso brasileiro e o presidente venezuelano ficaram estremecidas desde que Chávez disse, em julho deste ano, que o Senado Federal age "como um papagaio" do Congresso americano. Em setembro, Chávez voltou a criticar o Congresso pelo atraso em aprovar a entrada do seu país no Mercosul.
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