Sem-terra ficam feridos em confronto com a Brigada Militar
SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre
Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) do Rio Grande do Sul ficaram feridos ontem em confronto com a Brigada Militar, na BR-386, próximo à cidade de Almirante Tamandaré do Sul (315 km de Porto Alegre).
Os sem-terra foram proibidos pela Justiça de entrarem no município, que fica a 30 km de Coqueiros do Sul, para onde estão se dirigindo integrantes do movimento de várias partes do Estado.
Em Coqueiros do Sul, os sem-terra pretendem invadir a fazenda Guerra para pedir a desapropriação das terras e sua destinação para a reforma agrária.
Ao tentarem entrar em Almirante Tamandaré do Sul, os sem-terra foram impedidos pela Brigada Militar, que fez um cordão de isolamento.
Ao persistirem, nove sem-terra acabaram atingidos por balas de borracha --nenhum com ferimentos graves.
Segundo a Brigada Militar, cerca 600 integrantes do MST bloquearam um trecho da rodovia, nos dois sentidos, causando congestionamento de mais de 5 km.
O tenente-coronel Paulo Roberto Mendes disse que os manifestantes forçaram a entrada na cidade e foram contidos a apenas cem metros de ingressarem em Almirante Tamandaré do Sul.
Três grupos de sem-terra estão caminhando desde setembro em direção a Coqueiros do Sul, passando por dezenas de municípios gaúchos.
Um grupo de cerca de 500 integrantes do MST chega hoje a Carazinho. A entrada no município também está proibida por decisão judicial.
Um dos coordenadores do MST, Nilton Lima, disse que a Brigada Militar agiu com "truculência". Segundo ele, as famílias estavam seguindo em direção à fazenda Guerra "pacificamente".
O tenente-coronel Mendes negou que a polícia tenha agido com truculência. "Fizemos o nosso trabalho. Eles [sem-terra] estavam forçando a barra e tentando e entrar em um lugar para o qual não têm permissão."
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