Senado cria sindicância para investigar servidor que denunciou Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Senado vai instaurar sindicância para investigar o servidor Marcos Santi --que acusou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) em depoimento sigiloso à corregedoria da Casa de ter usado o cargo para manipular os processos a que responde no Conselho de Ética. O primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), determinou a instauração da sindicância após receber ofício de Renan com o pedido --assinado um dia antes de se licenciar da presidência da Casa, no dia 11.
O ato de instauração de sindicância foi publicado no Boletim Administrativo no Senado nesta quinta-feira, quinze dias depois do pedido de Renan. A Folha Online apurou que o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), decidiu dar prosseguimento à sindicância por temer novas revelações do funcionário à imprensa.
Segundo o ato, a sindicância vai apurar a "veracidade das informações que têm sido veiculadas na imprensa" pelo servidor.
Santi será investigado por três funcionários do Senado: Wilson Theodoro, Dirceu Teixeira de Matos e Andréa de Souza Figueiredo.
A Folha Oline apurou que os três servidores são ligados a Efraim e ao diretor-geral do Senado, Agaciel Maia --ambos ligados a Renan.
Nos bastidores, servidores afirmam que a cúpula do Senado ficou irritada com revelações de Santi à imprensa, por isso decidiram investigá-lo. Como o funcionário não recebeu nenhuma notificação sobre a investigação --apenas soube da publicação do ato--, muitos servidores especulam que a sindicância será uma forma de ameaçá-lo para mantê-lo em silêncio sobre supostas irregularidades administrativas no Senado.
Procurado pela reportagem, Santi não quis se manifestar sobre a decisão do Senado de abrir sindicância contra ele.
Denúncias
No depoimento sigiloso à Corregedoria do Senado, no dia 29 de agosto, Santi disse que servidores do Senado foram induzidos por Renan a realizar atos ou se omitir "sobre coisas que não eram corretas".
Santi era secretário-adjunto da Mesa e lidava com várias etapas do trâmite das primeira representação contra Renan, na qual era acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar despesas pessoais.
Segundo Santi, Renan orientava os assessores a procurar brechas nos processos para que pudessem ser anulados depois, se resultassem na cassação do seu mandato. Como exemplo, Santi citou que Renan encaminhou o primeiro pedido de investigação que enfrentou ao conselho sem convocar a Mesa, procedimento considerado irregular.
Na época das revelações, Santi também foi ouvido pelos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), relatores do primeiro processo contra Renan. Os senadores manifestaram preocupação com a possibilidade de Santi ser punido pelas denúncias e prometeram evitar punições ao servidor, assim como o corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP).
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Renan estuda se afastar definitivamente da presidência do Senado, dizem interlocutores
- Viana limita visita de turistas no Senado após protestos
- Em defesa, Renan chama ex-sócio de "empresário desacreditado" e "inimigo"
- Mesa arquiva processo contra Azeredo e adia 6ª representação contra Renan
- Sem clima para retornar, Renan pede licença de 10 dias do mandato
Especial

avalie fechar
GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
avalie fechar
avalie fechar