Meirelles diz que fim da CPMF reduziria superávit e aumentaria juros
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) teria impacto no longo prazo nas contas públicas caso o governo decida não cortar despesas. A avaliação é do presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles. Ele lembrou que uma medida como essa causaria também o aumento dos juros.
"Se eliminarmos uma receita, teríamos que eliminar uma fonte importante de despesas. Isso com certeza teria um impacto grande para a sociedade. Não podemos nos iludir", afirmou Meirelles em audiência pública na Câmara dos Deputados.
Ele ressaltou que, sem cortar despesas equivalentes ao valor da CPMF (cerca de R$ 39 bilhões em 2008), a trajetória de queda da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB (Produto Interno Bruto) voltará a subir.
Isso porque, com menos receitas e a manutenção das despesas, o esforço para o pagamento dos juros --o superávit primário-- será menor. "Teremos o crescimento da dívida pública e o crescimento dos juros", disse.
A dívida pública em 2003 era equivalente a 52,4% do PIB. Em setembro desde ano estava em 43,5%.
O governo trabalha para aprovar no Senado Federal a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011 com alíquota de 0,38%.
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