Lula pede para aliados manter discurso contrário ao 3º mandato
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Na tentativa de encerrar o debate sobre o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou seus aliados a tratarem do assunto e apelou para que mantenham o discurso contrário à proposta. O ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral) disse nesta quinta-feira que a posição de Lula é definitiva e deve ser seguida por aqueles que o apóiam.
"Ele [presidente Lula] já falou que é contrário. Eu entendo que ao se dizer contrário e ao desautorizar expressamente está também desautorizando qualquer parlamentar a tomar iniciativas nesse sentido, que prejudicariam o país', afirmou Dulci.
Durante esta quinta-feira, vários interlocutores do presidente negaram haver um movimento em favor do terceiro mandato. O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou sobre o assunto em duas ocasiões diferentes na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado --onde falou sobre a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
"Só se fala de sucessão quando o governo está acabando ou fraco. Não é uma situação nem outra", afirmou Mantega, após a audiência na comissão. Antes, durante a sessão, ele disse que o presidente não defende isso. "Meu presidente não comunga dessas idéias de terceiro mandato. São iniciativas que estão sendo tomadas à sua revelia."
Mais cedo o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou ser contrário ao terceiro mandato. Paralelamente, o comando do PT pretende chamar a atenção do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) --que é favorável à proposta e sugeriu a discussão na Câmara.
A bancada do PT no Senado pretende convocar Devanir para prestar esclarecimentos. A líder do partido na Casa, Ideli Salvatti (SC), disse ter apelado ao líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), para encerrar esse assunto de terceiro mandato para o presidente da República entre os deputados.
"Esse assunto precisa ser definitivamente extirpado do cenário político porque é uma posição muito diferente da assumida pelo presidente da República e também pelas lideranças. A única coisa que essa situação está criando é constrangimento e dificuldades nas negociações [em curso no Congresso]", disse.
Na Câmara, o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), condenou a atitude de Devanir e avisou que vai conversar com ele para dizer que o assunto não interessa ao partido, ao presidente da República e ao governo.
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