Base governista vai votar CPMF no Senado mesmo sem apoio do PSDB
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Mesmo sem o apoio do PSDB, a base aliada do governo no Senado acredita na aprovação da proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. Com a negativa dos tucanos à proposta do governo de isentar da cobrança quem recebe até R$ 4.340, os aliados acreditam agora que a oferta da equipe econômica à oposição poderá sensibilizar senadores governistas contrários à prorrogação da CPMF.
Líderes da base aliada ouvidos pela Folha Online apostam que a proposta do governo vai sensibilizar parlamentares aliados a defenderem a prorrogação da CPMF, diante do "impacto social" da concessão autorizada pela equipe econômica. A proposta foi anunciada nesta terça-feira à bancada do PSDB no Senado em meio às negociações com o partido em busca de apoio à votação da CPMF.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), avalia que a nova proposta do governo vai garantir pelo menos 51 votos da base aliada favoráveis à CPMF --são necessários 49 votos para que a matéria seja aprovada.
"A nossa dificuldade eram quatro ou cinco senadores. Com essa flexibilização, eu acho que teremos somente dois ou três senadores da base contra a CPMF. A proposta atual já dá para votar com a base, com uma margem estreita, mas dá para votar", afirmou.
Raupp admite que, com a adesão do PSDB, o governo conseguiria prorrogar a CPMF sem percalços no plenário do Senado. Apesar da negativa dos tucanos, o líder disse acreditar que as negociações poderão avançar para que pelo menos parte da bancada do PSDB ajude a aprovar a prorrogação da CPMF.
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também acredita na união de forças dentro da base aliada para a prorrogação da CPMF. "Já temos os votos da base aliada para aprovar a CPMF com essas concessões que foram feitas. Mas vamos continuar trabalhando para conquistar o apoio dos tucanos. A avaliação que temos é que há um grande apoio de senadores da base à proposta", disse.
Apesar do discurso otimista, senadores da base aliada demonstraram insatisfação com as concessões anunciadas pelo governo. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) disse que, por enquanto, mantém seu voto contrário à prorrogação da CPMF. "Essa história de isentar não me satisfaz. A proposta tem que ser linear para atingir todo mundo. Não voto a favor", anunciou.
Negociações
Além de apresentar a proposta de flexibilização da CPMF ao PSDB nesta terça-feira, o ministro Guido Mantega (Fazenda) também se reuniu com líderes da base aliada no Senado para formalizar a oferta. Segundo lideres governistas, as concessões da equipe econômica foram bem recebidas pelos partidos aliados, que se mostraram dispostos a trabalhar pela aprovação da matéria.
"A proposta tem o apoio de todos os lideres, que ficaram sensibilizados. Eu acho que é uma proposta socialmente consistente", afirmou Mercadante.
Segundo o senador, o governo vai manter a proposta em vigor mesmo que o PSDB decida votar contra a prorrogação da CPMF, já que ela surgiu como tentativa de sensibilizar os tucanos a aprovarem a matéria. "Essa desoneração estará mantida", garantiu.
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