PF apreende documentos em entidade investigada por CPI das ONGs
da Folha Online
A Polícia Federal de Santa Catarina apreendeu nesta quinta-feira documentos da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul) e da Cooperhaf Cooperativa de Habitação dos Agricultores Familiares), entidades suspeitas de desviar verbas repassadas pela União. A CPI das ONGs investiga o suposto desvio de recursos na Fetraf-Sul.
O inquérito para investigar as entidades foi aberto em abril deste ano, quando a PF recebeu do Ministério Público Federal um dossiê com informações sobre um sobre o suposto desvio de verba. A investigação inclui o deputado estadual Dirceu Dresch (PT), suspeito de usar os recursos desviados em campanha eleitoral.
De acordo com o Ministério Público, os recursos públicos repassados para a Fetraf e Cooperhaf por meio de convênios com o governo federal para a realização de cursos de qualificação profissional, congressos e processos licitatórios eram desviados. Parte do dinheiro arrecadado pelas duas entidades, suspeita o MPF, teria ido parar na campanha de Dresch no ano passado.
Segundo o delegado Misael Mazzetti, responsável pelo inquérito, foram apreendidos 120 caixas de documentos e 48 HDs. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Federal de Chapecó (SC).
Mazzetti explicou que a Fetraf-Sul e a Cooperhaf mantêm convênios com vários ministérios para capacitação de mão-de-obra. Segundo o delegado, documentos apreendidos nos ministros indicam a existência de "caixa dois", mas ainda não há provas.
"A operação realizada hoje tem como objetivo encontrar provas", afirmou Mazzetti, ao ressaltar que não há prazo para concluir as investigações.
Procurado pela reportagem, a assessoria de Dirceu Dresch informa que a prestação de contas do deputado foi aprovada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Santa Catarina e que o petista tem a convicção de que não houve caixa dois na campanha eleitoral.
CPI das ONGs
Um dos alvos da CPI das ONGs é a Fetraf-Sul, entidade ligada ao grupo da senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado.
A entidade é acusada pelo Ministério Público de desviar dinheiro público que deveria ser usado para formar e qualificar mão-de-obra na área rural. A Fetraf-Sul recebeu R$ 5,2 milhões entre 2003 e 2007 da União.
Reportagem publicada pela revista "Veja" liga os principais envolvidos na suposta fraude à senadora. Ideli não nega a ligação com a Fetraf-Sul, mas afirma desconhecer quaisquer irregularidades.
Em nota divulgada no final de setembro, diz que é "natural" sua ligação com lideranças da agricultura familiar, já que tem pautado sua atuação política em defesa do setor. Por isso, ela destaca que manteve relações com diversas entidades da área e prefeituras. Disse que só apresentou emendas para favorecer a agricultura familiar.
Para Ideli, "definitivamente isso não implica que eles tenham qualquer participação em supostas ilegalidades perpetradas para o desvio de recursos públicos".
Em um dos convênios, assinado em 2003 com o Desenvolvimento Agrário, a Fetraf-Sul teria recebido R$ 1 milhão para treinar trabalhadores rurais em Chapecó. A federação é acusada de ter forjado a lista de presenças com alunos fantasmas.
O coordenador da entidade na época em que a maioria dos convênios que aparecem com irregulares era Dirceu Dresch, hoje deputado estadual pelo PT e ex-coordenador de campanhas de Ideli.
Outro lado
Em nota divulgada na página da Fetraf-Sul na internet, a entidade informa que a ação da PF foi um procedimento "usual" da investigação. Na nota, assinada pelo coordenador-geral da entidade, Altemir Tortelli, a Fetraf-Sul se coloca à disposição da PF para prestar as informações necessárias.
"A Fetraf-Sul vê a ação com naturalidade uma vez que formalmente sempre esteve à disposição de qualquer autoridade pública, especialmente da Polícia Federal, para prestar os esclarecimentos e as informações necessárias. Ninguém mais que os integrantes da Fetraf desejam que os fatos sejam todos esclarecidos", diz a nota.
A reportagem não localizou nenhum responsável da Cooperhaf em Santa Catarina para comentar a operação da PF.
Com Folha de S.Paulo e Agência Folha
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