Líder do PT admite substituir "rebelde" para facilitar aprovação de CPMF na CCJ
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A líder do PT e do bloco governista no Senado, Ideli Salvatti (SC), vai definir na segunda-feira durante reunião da bancada na Casa se vai substituir o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Em nota, a líder não descarta a troca para garantir a aprovação da proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) --mas afirma que vai agir somente se tiver o apoio integral da bancada.
"Já fiz diversas alterações na composição da representação do bloco de apoio ao governo nas comissões do Senado, sem que houvesse qualquer ruído político, exatamente por terem sido sempre consensuais", afirmou.
Mozarildo se declarou contrário à prorrogação da CPMF, mesmo com a orientação do governo para votar favoravelmente à matéria. Como os governistas temem não ter votos suficientes para aprovarem a PEC (proposta de emenda constitucional) da CPMF, estudam substituir o senador por outro parlamentar que apóie a prorrogação da CPMF.
Segundo Ideli, por enquanto está mantido o acordo da base aliada --que é colocar em votação o parecer da relatora Kátia Abreu (DEM-TO) na terça-feira, cuja leitura ocorrerá na CCJ na próxima segunda-feira.
"[A líder] Não tomará nenhuma decisão sobre mudanças na bancada do bloco de apoio ao governo na comissão [CCJ] antes de consultar os integrantes das bancadas e respectivos líderes. Até porque é preciso, inclusive, avaliar as novidades em relação à tramitação da CPMF", informou a nota.
Ideli disse que todos os integrantes do bloco governista foram "contatados" para comparecerem à reunião, na segunda-feira. "Qualquer decisão será definida de forma consensual do bloco, não é uma posição só minha", afirmou à Folha Online a senadora.
Manobras
A senadora negou uma suposta articulação do governo para evitar a votação da CPMF na CCJ. A manobra estaria sendo articulada nos bastidores por conta da preocupação dos governistas em não conseguir aprovar a matéria na comissão.
"Cumprimos todos os nossos compromissos até agora e não há porque alterar o acordo", disse a líder.
O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), protocolou hoje ofício na Mesa Diretora da Casa para impedir manobra da base aliada do governo capaz de levar direto para o plenário a votação da proposta. No ofício, Maciel pede a prorrogação por mais 30 dias do prazo para que a comissão analise a matéria --o que na prática inviabiliza que a proposta siga direto para o plenário.
O governo estuda usar uma brecha no regimento da Casa que permite a qualquer integrante da base do governo na comissão argumentar que o prazo de tramitação da PEC que trata da CPMF excedeu o prazo de 30 dias --por isso poderia ser remetida ao plenário.
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