Governo busca votos dos "rebeldes" do PMDB para aprovar CPMF na CCJ
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Depois de substituir Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado , a base governista busca agora os votos dos "rebeldes" do PMDB para aprovar amanhã a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) na comissão. Essa articulação deve garantir a aprovação da matéria, marcada para a sessão desta terça-feira (13).
Os governistas calculam que vão conseguir a adesão dos "rebeldes" do PMDB, apesar de alguns integrantes do partido não terem manifestado apoio à prorrogação da CPMF.
Entre os "rebeldes" do PMDB que o governo espera cooptar estão Pedro Simon (PMDB-RS) e Valter Pereira (PMDB-MS). A base tentará convencer os dois a votar a favor do texto do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que defende a manutenção da CPMF até 2011. Um peemedebista ouvido pela Folha Online disse que o único voto dado como "perdido" é o do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que deve votar contra a CPMF.
Os demais peemedebistas, segundo o interlocutor, devem aderir à posição do governo favorável à manutenção do "imposto do cheque". Os governistas temem, ainda, o voto do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que fez uma série de críticas à prorrogação da CPMF.
A base aliada ficou mais otimistas depois que a líder do bloco governista, Ideli Salvatti (PT-SC), decidiu ocupar a vaga do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) durante a votação da CPMF. Como o senador declarou ser contrário à matéria, será substituído pela petista na votação.
Os governistas também reconquistaram a vaga da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que deixou o PSB em setembro deste ano --o que deixou sua cadeira aberta na comissão.
Questionada sobre as substituições, Ideli disse que apenas cumpriu uma regra prevista pelo regimento da Casa.
A líder admitiu que, diante de uma votação apertada na CCJ, agiu para garantir que a CPMF seja prorrogada sem percalços --cenário que pode não se repetir no plenário da Casa. "A proporcionalidade com a presença do voto dele é diferente do plenário. Mesmo que a gente perca aqui, temos o plenário", afirmou.
Oposição
Integrantes do PSDB já admitem que a oposição poderá sair derrotada na votação da PEC (proposta de emenda constitucional) da CPMF na CCJ. Um tucano ouvido pela Folha Online disse que o governo deverá "levar de lavada" a votação na comissão --mas enfrentará dificuldades na votação em plenário.
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Apesar da disposição do governo em conquistar o PSDB para que o partido apoie a prorrogação da CPMF, o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse durante os debates na CCJ que a bancada estará unida em plenário contra a prorrogação da CPMF.
"Votaremos em bloco contra a contribuição no plenário. Essa negociação não deu certo, O presidente [Lula] não pode pedir ao PSDB que nos descaracterizemos. Se concede muita coisa, mas não a honra", disse Virgílio.
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