Governo e aliados fecham acordo para aprovar prorrogação da CPMF
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os senadores da base aliada aceitaram a proposta feita pelo governo para aprovar a prorrogação da cobrança da CPMF. A proposta prevê a redução da alíquota da CPMF já a partir de 2008, isenção para assalariados que ganham até R$ 2.894, limite para os gastos com o funcionalismo público e envio da reforma tributária.
"A base está coesa e confiante nos 49 votos no plenário", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) após o encontro entre Mantega e líderes da base aliada na Casa.
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| Governo e aliados fecham acordo para aprovar prorrogação da CPMF até 2011 |
Mantega disse que todos os lados tiveram de ceder um pouco para haver um acordo. "Cada um de nós cedeu um pouco. É claro que a base queria reduções maiores de alíquotas, mas nós temos limitações orçamentárias."
Pela proposta apresentada hoje, a alíquota de 0,38% sofreria uma redução anual de 0,02 ponto percentual até chegar a 0,30% em 2011. Dessa forma, ela seria de 0,36% em 2008, de 0,34% em 2009, de 032% em 2010, e de 0,30% em 2011.
Além disso, trabalhadores da iniciativa privada com salário mensal de até R$ 2.894 seriam isentos da CPMF. O abatimento se daria por meio da redução da alíquota de contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O governo também incluiu na proposta um limitador para os gastos com funcionários públicos de 2,5% ao ano mais a variação da inflação. Mantega também se comprometeu a enviar uma proposta de reforma tributária ao Congresso até o final deste mês.
Segundo Mantega, essa proposta permitirá que o governo aprove a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011 sem os votos do PSDB ou do DEM --que prometem votar contra a proposta.
Mantega sinalizou que essa é a proposta final do governo, que não deve fazer novas concessões para aprovar a CPMF. "Nós chegamos ao limite da negociação. Para cedermos mais, teremos de desfigurar a proposta orçamentária e reduzir investimentos do governo."
Além de Mantega e Jucá, participaram do encontro o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) e e senadores de partidos que pertencem à base de apoio ao Palácio do Planalto. A reunião foi definida ontem à noite por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer garantir a vitória da prorrogação da CPMF na votação de hoje na CCJ e no plenário.
Senadores dizem "sim" para a CPMF
Senadores indecisos, independentes e que não haviam declarado voto indicaram que devem aceitar a prorrogação da CPMF após a nova proposta do governo. O PDT ainda não fechou questão, mas o senador Osmar Dias (PDT-PR) disse que a tendência é de a legenda aceitar a proposta e votar unido a favor da CPMF.
Outro "rebelde", o senador Valter Pereira (PMDB-MS), afirmou que a proposta "abriu o caminho para uma extinção futura da CPMF". Ele disse que agora vota pela prorrogação da CPMF.
Jefferson Péres (PDT-AM) --que apesar de integrar a base é considerado independente e pertencente ao grupo dos "éticos"-- disse que aceita votar a favor da CPMF. "Feito isso [a redução], eu voto a favor da CPMF."
Votação na CCJ
A CCJ do Senado vai analisar hoje à tarde o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) sobre a PEC que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011.
Ontem, integrantes da CCJ pediram vista coletiva ao relatório de Kátia Abreu, que defende a extinção do imposto do cheque.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou voto em separado à matéria pedindo a prorrogação da cobrança até 2011. Se o texto de Kátia Abreu for rejeitado hoje pela comissão, Jucá deve se tornar o novo relator da proposta.
O blog do Josias informa que a oposição já admitia ontem à noite que o relatório de Katia Abreu seria rejeitado e que a CCJ aprovaria o texto paralelo de Romero Jucá. Pelas contas do bloco governista, a CPMF passaria na CCJ com um placar favorável de 13 a 9.
Histórico
O governo reforçou a busca de um acordo com os partidos aliados depois do fracasso das negociações com o PSDB. A proposta oferecida ao PSDB previa uma isenção maior de CPMF: salários até R$ 4.340. Acima disso, a isenção seria parcial e limitada a R$ 214 ao ano.
No entanto, a proposta feita ao PSDB não previa a redução da alíquota da CPMF já a partir de 2008.
No final de semana, Lula admitiu hoje que houve falhas na negociação entre o governo e a cúpula do PSDB. Os primeiros termos do acordo vazaram para a imprensa antes da cúpula do PSDB ser informada sobre o que seria oferecido pelo governo.
"O bom acordo é aquele que você faz em silêncio e depois você anuncia o resultado dele, da forma, eu diria, consagradora", disse Lula após sessão Plenária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo Ibero-Americanos, em Santiago, no Chile.
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