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Brasil
14/11/2007 - 08h51

Assessor preso em operação da PF trabalha para aliado de Renan

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da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Agência Folha
da Agência Folha, em Maceió

Preso em Brasília durante a Operação Carranca, deflagrada pela Polícia Federal, o assessor parlamentar Eurípedes Marinho dos Santos é funcionário lotado no gabinete do deputado federal Joaquim Beltrão (PMDB-AL), aliado do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A operação prendeu 21 pessoas --uma ontem e as outras anteontem-- suspeitas de fraudes em licitações e desvio de verbas federais envolvendo convênios com pelo menos 12 prefeituras de Alagoas.

A polícia diz que ainda não há provas de que emendas parlamentares foram destinadas às obras sob suspeita. Segundo a Folha apurou, a polícia pretende inicialmente centralizar as investigações sobre as empreiteiras que participaram do esquema, para só depois, com informações dos depoimentos, apurar se havia desdobramentos do esquema em Brasília.

Uma das empreiteiras investigadas, a Lacerda Engenharia Ltda., tem ao menos dois contratos com a Prefeitura de Murici, a partir de convênios com a União, que somam R$ 5,5 milhões. A cidade é administrada por Renan Calheiros Filho (PMDB), filho do senador.

O dono da empresa, Ronaldo Lacerda, está preso. Os contratos se referem a obras de drenagem, construção de um ginásio e obras de infra-estrutura com recursos da Funasa.

As investigações da PF apontam que dois funcionários da CEF (Caixa Econômica Federal) eram peças-chave do esquema. A investigação corre sob sigilo de Justiça, mas, segundo a Folha apurou, os engenheiros Geraldo Monteiro de Carvalho e Nelson Tenório de Oliveira trabalhavam na Gidur (Gerência de Desenvolvimento Urbano) de Alagoas, órgão da CEF responsável por acompanhar projetos de saneamento e infra-estrutura.

Os engenheiros seriam os responsáveis por facilitar a liberação de verbas repassadas pelos ministérios por meio do banco. Cinco dos ministérios que teriam convênios sob suspeita (Educação, Cidades, Turismo, Integração Nacional e Desenvolvimento Agrário) têm o trabalho de acompanhamento das obras conveniadas feito pela CEF. A exceção é o Ministério da Saúde, que tem como fiscais os servidores da Funasa.

A polícia trabalha com a hipótese de que os engenheiros, suspeitos de corrupção ativa e passiva, autorizavam parte dos repasses para conclusão de obras mesmo diante de irregularidades em sua execução.

De acordo com o delegado da PF André Costa, responsável pelas apurações, as empresas concorrentes se encontravam antes do resultado para combinar qual delas sairia vencedora --e as demais empreiteiras ficavam com uma porcentagem do lucro. Algumas obras eram superfaturadas ou executadas com material de qualidade inferior ao definido no contrato,

Outro lado

A assessoria do deputado Joaquim Beltrão (PMDB-AL) disse ontem que Eurípedes Marinho dos Santos só trabalha em seu gabinete porque era funcionário do deputado Helenildo Ribeiro (PSDB-AL), que morreu em 2006.

O advogado de Santos não foi localizado ontem para falar sobre a prisão. Familiares dos engenheiros presos disseram que eles são inocentes.

A reportagem tentou durante o dia ouvir funcionários da Prefeitura e da Câmara Municipal de Murici (AL), mas não foi atendida. Na casa de Ronaldo Lacerda, uma empregada informou que ninguém se pronunciaria. Na sede da construtora Lacerda Engenharia, ninguém soube informar quem era o advogado do empresário.

Os ministérios com convênios com as prefeituras dizem desconhecer as irregularidades. A CEF disse que só poderá se pronunciar após o exame do conteúdo das acusações.

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