Brasil
14/11/2007 - 17h48

Lula diz que Chávez não pode ser criticado por falta de democracia

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira o colega venezuelano, Hugo Chávez, ao afirmar que no país vizinho há democracia. Ele reiterou ainda que é favorável ao ingresso da Venezuela no Mercosul.

"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos", afirmou o presidente depois de almoçar com o colega de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, no Itamaraty.

Lula, entretanto, evitou tomar partido no bate-boca entre Chávez e o rei da Espanha Juan Carlos 1º no Chile. "Não há divergência apenas entre o rei Juan Carlos e o Chávez. Há muitas divergências entre outros chefes de Estados. E a divergência faz parte de um encontro democrático", disse.

Sem mencionar o nome de Chávez nem do rei, Lula afirmou que não houve exagero na discussão entre os dois. "Não acho que houve exagero. Houve uma fala do Chávez que o rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro ministro da Espanha [José María Aznar] afirmando que tinha apoiado o golpe venezuelano no primeiro momento. Essas coisas acontecem. A diferença é que o rei estava na reunião."

Em seguida, o presidente contou como foi o comentário de Juan Carlos, na reunião da Cúpula Ibero-Americana no último sábado (9), quando o monarca mandou Chávez ficar calado.

"Quem falou 'cala-te' foi o rei, não foi um de nós. Entre nós, nós divergimos muito. Fazemos uma reunião como em qualquer país civilizado. Como é que você pensa que são as reuniões do G-8? Você acha que todo mundo chega lá, tem um protocolo, tem que rir na hora certa? Não."

Lula afirmou também que as divergências entre chefes de governo e de Estado são "normais". De acordo com ele, na última reunião do G-8 (grupo dos sete países mais desenvolvidos e a Rússia) foi bastante incisivo com a chanceler Angela Merkel.

"Fui agora a Berlim para dizer à Angela Merkel e para o G-8 que do jeito que está a reunião eu não tenho mais interesse de ir. E que não estou disposto a ser tratado como cidadão de segunda classe. Ou nós fazemos uma reunião para discutir os problemas do mundo ou não fazemos", disse ele.

Democracia

Ao defender o ingresso da Venezuela no Mercosul --o assunto deve ser votado na próxima semana na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara--, o presidente disse que mantinha sua posição em favor da aprovação dos venezuelanos no bloco.

Segundo Lula, na Venezuela o que mais ocorre são debates em torno de propostas. "O que não falta é discussão. Eu acho democracia é assim. A gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide. A gente acata o resultado", disse.

Para o presidente, é necessário evitar polêmicas sobre a política externa e respeitar a soberania dos países. "O que nós precisamos é apenas respeitar. O que nós precisamos é respeitar a autonomia e a soberania de cada país. Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Se a gente achar que a gente pode dar palpite em tudo, que só pode acontecer no mundo aquilo que a gente gosta, aquilo que a gente quer, nós seremos eternamente infelizes", disse o presidente.

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Comentários dos leitores
Antonio Ribeiro (20) 25/07/2008 10h47
Antonio Ribeiro (20) 25/07/2008 10h47
SAO PAULO / SP
O rei da Espanha que descuidamente mandou o presidente Chávez se calar, agora teve que ouví-lo. O hoem está montado em barrís de Petróleo, daí sua força. Engraçado são os fascistóides brasileiros, quando se referem a Chávez. O presidente venezuelano e é útil como contraponto ao império norte-americano na América Latina. Quanto à frase do rei, pode ser considerada ao resquício do fascismo franquista. Ele foi educado sob os preceitos da ditadura do sanguinário lider da direita radical espanhola.
ANTÔNIO RIBEIRO - escritor e tetrólogo
sem opinião
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Sidnei Liberal (3) 25/07/2008 10h17
Sidnei Liberal (3) 25/07/2008 10h17
BRASILIA / DF
Que srá que o autor da matéria (ou da tradução) entende por verborragia de Chávez. será o fato de não se submeter aos colonizadores? sem opinião
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Alessandro Tadeu Perico (16) 06/03/2008 17h33
Alessandro Tadeu Perico (16) 06/03/2008 17h33
CAMPINAS / SP
Chaves, Chaves, Chaves, todos ligados na TV (acho que é isso mesmo), esse pelo menos tem a sua graça.
Agora, muito próxima do Brasil temos um outro Chavez, este infelizmente assumiu a presidência de um País. Vejamos se podemos defini-lo:
Leopoldo Galtieri 1981-1982
Hugo Suárez 1971-1978
Emílio Garrastazu Médici 1969-1974
Augusto Pinochet 1973-1990
Fidel Castro 1959-2008
Rafael Trujillo 1930-1961
Maximiliano Martínez 1931-1944
Jean-Claude Duvalier ("Baby Doc") 1971-1986
Anastácio Somoza 1967-1979
Alfredo Stroessner 1954-1989
Mistura tudo e vai dar no que deu, esse arremedo de ditador. O problema foi com a Bolivia e a Colombia, dá para alguém explicar porque ele se meteu no meio, Chavez e sua agregados são um perigo real a democrácia na América latina, um câncer que se instalou e que vai ser dificil de extirpa-lo.
Pergunta: se fosse no nosso território (o que conforme reportagens acontece com certa frequência), o que fariamos? reagiriamos como reagimos com a Bolivia quando tomou a força os investimentos da Petrobras no País, e respondemos com mais investimentos da Petrobrás. Como reagiriamos com Chaves que fala, e muito mais grosso, que seu capacho Evo Morales?
Chaves é um perigo real e imediato, só não vê quem não quer.
A tempo, para todos os defensores do Fidel e seu pupilo Chaves, se lá é tão bom, vai morar lá, ou quando for sair de férias, em vez de Paris, visita a ilha e contribua com sua economia e alegre o pobre e bondoso coração de Fidel.
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