Decisão de Virgílio torna o governo ainda mais refém de Renan, diz Casagrande
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), afirmou nesta terça-feira que o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), está preocupado com o adiamento da votação, pelo plenário, do processo do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
Segundo Casagrande, uma das preocupações do petista é que o adiamento atrapalhe as negociações da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e ainda contamine a imagem do Senado.
"O senador Arthur Virgílio [líder do PSDB] tomou uma medida para prejudicar a CPMF, mas pode salvar o Renan", afirmou Casagrande, depois de conversar com Viana. "A decisão de Arthur Virgílio é um tiro no pé e faz com que o governo fique cada vez mais refém de Renan", reiterou.
Virgílio anunciou ontem que não vai apresentar esta semana seu parecer sobre a admissibilidade --se há sustentação na Constituição-- para recomendar a cassação de Renan por quebra de decoro parlamentar, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Com isso, a votação do processo de Renan que estava marcada para esta quinta-feira poderá ocorrer apenas na próxima semana. Virgílio tem 15 dias para apresentar seu parecer.
Na semana passada, o Conselho de Ética do Senado aprovou o relatório do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que recomenda a cassação de Renan. Neste processo, ele é acusado de utilizar "laranjas" para comprar empresas de comunicação no interior de Alagoas.
No entanto, antes de o assunto seguir para o plenário do Senado, deve haver mais esta votação na CCJ do parecer de Virgílio.
O tucano justificou sua decisão de adiar a apresentação do relatório ao argumentar que o governo negociava a absolvição de Renan em troca da aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a CPMF até 2011.
Nos bastidores, parlamentares afirmam que a intenção do PSDB e do DEM --uma vez que a decisão de Virgílio contaria também com apoio do presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE)-- seria prejudicar o cronograma de votações da CPMF e as articulações para absolver o peemedebista.
Para Casagrande, os fatos poderão afetar a imagem externa do Senado, estendendo a crise que atinge o Senado até o próximo ano. "A crise que envolve o Senado pode ir até 2008, se isso continuar", disse o senador.
A reunião de líderes, prevista para hoje para discutir a votação da CPMF e o caso Renan, foi cancelada.
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