Líder do PMDB diz que Renan deve renovar licença por mais 30 dias
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve encaminhar até sexta-feira o pedido de renovação de licença do cargo. Com o adiamento da votação do processo de cassação contra Renan no plenário da Casa, interlocutores do peemedebista avaliam que o melhor caminho para o senador neste momento é não retornar ao comando do Senado nem renunciar ao cargo em definitivo.
"A licença deve mesmo ser renovada, talvez por mais trinta dias. Ele [Renan] vê que essa é a melhor opção. A renúncia é uma outra fase, primeiro é preciso marcar a data [da votação do processo de cassação]", disse o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO).
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| Líder do PMDB diz que Renan deve renovar pedido de licença por mais 30 dias |
Renan se afastou do cargo no dia 11 de outubro, após encaminhar pedido de licença médica por 45 dias da presidência da Casa. O período da licença se encerra na próxima segunda-feira, o que obriga Renan a tomar uma decisão sobre renúncia ou retorno à presidência do Senado até o final desta semana.
Raupp vem mantendo conversas com Renan e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), sobre a eventual renúncia do peemedebista --que chegou a ser cogitada para esta semana como estratégia para absolvê-lo na votação em plenário, inicialmente marcada para esta quinta-feira.
O adiamento da votação, porém, fez perder força a estratégia da renúncia --já que o processo de cassação deve chegar ao plenário somente no início de dezembro.
A Folha Online apurou que Renan só está disposto a rediscutir a possibilidade de renúncia depois que a data do julgamento no plenário for marcada em definitivo pelo presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC). A renúncia ao cargo é uma estratégia do senador para não perder o mandato, pois avalia que seria um gesto que poderia sensibilizar parte dos parlamentares no plenário pela sua absolvição.
Viana disse nesta terça-feira que o processo contra Renan deve entrar na pauta do plenário no dia 4 ou 5 de dezembro --isso se o parecer sobre o processo for apresentado à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) na semana que vem. No processo, Renan é acusado de usar "laranjas" para comprar veículos de comunicação em Alagoas.
Manobra
Virgílio adiou a entrega do parecer à CCJ para evitar um suposto "acordão" entre senadores da base aliada do governo que poderia absolver Renan no processo de cassação.
PT e PMDB estariam negociando nos bastidores a absolvição de Renan em troca dos peemedebistas votarem favoravelmente ao projeto que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011.
Oficialmente, porém, o tucano argumenta que adiou a entrega do texto porque está envolvido com a convenção nacional do PSDB esta semana --o que prejudicaria a qualidade do parecer a ser encaminhado à CCJ.
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