Renan diz que vai aguardar data de julgamento para definir renúncia
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira que só vai definir sobre a prorrogação de sua licença ou a renúncia definitiva do cargo depois que a data da votação do seu processo de cassação em plenário for marcada pelo presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC). Renan evitou adiantar sua decisão, apesar de o prazo de 45 dias de licença --que lhe permitiu ficar afastado do comando do Senado-- terminar na próxima segunda-feira.
"Eu não quero nada que me ajude, quero provar minha inocência. Quero um encaminhamento justo, humano. Eu vou aguardar que digam o calendário porque, só depois disso, vou dizer o que vou fazer", desconversou.
O senador disse não compreender a postura da oposição em adiar a votação do seu processo de cassação no plenário da Casa. Segundo Renan, o DEM e o PSDB foram os primeiros a defender que o processo entrasse na pauta do Senado no início de novembro --motivo que o levou a se afastar por somente 45 dias do comando da Casa.
"Esse processo de marcar data e desmarcar é sobretudo desumano. Tentar compreender esse processo é uma coisa meio louca. Tirei licença com pelo menos 20 dias de folga para retornar à presidência [depois da votação do processo em plenário]", afirmou.
Em conversas com interlocutores, Renan disse que juntar a discussão do seu processo com a votação da proposta de prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) não é algo que lhe agrade.
Renan nega a existência de um suposto "acordão" entre PT e PMDB para absolvê-lo no plenário ao afirmar que deseja somente provar sua inocência --sem manobras em seu favor. "Não tem absolutamente nada a ver. Eu quero provar a minha inocência, as minhas forças são todas direcionadas neste sentido", disse.
Estratégia
Com o adiamento da votação do processo de cassação no plenário, Renan decidiu não encaminhar nesta semana a sua defesa, por escrito, aos demais 80 senadores. Nesse processo, ele é acusado de usar "laranjas" para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. A exemplo do que fez no primeiro processo por quebra de decoro parlamentar, Renan pretende encaminhar sua defesa por escrito na tentativa de convencer os senadores a salvar o seu mandato.
O adiamento foi provocado pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que vai relatar o processo contra Renan na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O tucano vai encaminhar seu relator à comissão na próxima quarta-feira, o que permite que o processo chegue ao plenário do Senado somente no início de dezembro.
Inicialmente, a apresentação do parecer de Virgílio à CCJ estava prevista para esta quinta-feira. A oposição se articula para pedir vista ao texto do relator, o que poderá adiar ainda mais a votação do parecer na comissão.
O presidente da CCJ, Marco Maciel (DEM-PE), afirmou que pretende conceder apenas um dia de vista para que o processo possa entrar na pauta do plenário no início de dezembro.
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