Secretário de Aécio citado no valerioduto vai presidir PSDB mineiro
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte
Eleito ontem por consenso para presidir o PSDB de Minas Gerais, Custódio Mattos, deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Social do governo Aécio Neves, recebeu R$ 20 mil do valerioduto mineiro.
O suposto esquema, investigado pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral República, envolveria a formação de caixa dois na campanha à reeleição, em 1998, do então governador Eduardo Azeredo (PSDB), que hoje é senador e nega a suspeita de uso de recursos públicos.
Segundo relatório da PF, o dinheiro do esquema teria circulado pelas contas das agências de publicidade do empresário Marcos Valério de Souza, denunciado no STF (Supremo Tribunal Federal) como suspeito de ser o operador do mensalão do governo federal.
A Folha apurou que, por causa do envolvimento do nome de Custódio, o PSDB adiou do início de novembro para ontem a sua convenção estadual. Os dirigentes tucanos contavam que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, apresentaria seu relatório sobre o valerioduto mineiro antes disso, o que não ocorreu.
Se o nome de Custódio fosse citado no relatório, o PSDB-MG poderia escolher outro presidente e evitar o desgaste. Como isso não aconteceu e um novo adiamento não era mais possível, os tucanos decidiram bancar o nome de Custódio, tido como hábil negociador político e, segundo Aécio, "homem de carreira irretocável".
Custódio disse ontem à reportagem não temer eventual desgaste na presidência do PSDB caso seu nome seja citado no relatório.
"Se eu temesse, eu não teria aceito. Isso é uma questão inteiramente superada, já dei todas as explicações à época, voltarei a dar se for necessário."
Custódio sustenta ter recebido R$ 20 mil para ser gasto na campanha de Azeredo, a quem ajudava, e que o dinheiro foi entregue a apoiadores de pequenas cidades na região de Juiz de Fora. Ele diz ter os recibos dessas transferências.
Seu nome aparece ainda em uma lista com cerca de 150 nomes de políticos que teriam recebido mais recursos da campanha. No documento, cuja veracidade a PF não comprovou, a cifra de R$ 250 mil aparece à frente dos nomes "Arcuri/Custódio".
Ele nega ter recebido esse valor. "Isso é fajuto. Aquilo não tem nenhum fundamento."
Primárias
O governador Aécio Neves voltou a defender a realização de uma consulta primária às bases do PSDB para a escolha do nome dos candidatos tucanos, inclusive à Presidência da República. Outro presidenciável tucano é o governador de São Paulo, José Serra.
"O PSDB não pode mais tomar as suas decisões, sobretudo em torno de candidaturas, de forma centralizada e excludente. Nós já vivemos esse período e isso não deu certo", disse Aécio.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- STF dá prazo de 60 dias para réus do caso mensalão serem ouvidos
- STF converte inquérito do mensalão em ação penal; réus serão interrogados
- STF nega pedido de Genoino contra ação sobre mensalão na Justiça de Minas
- PSOL ameaça recorrer à CCJ contra arquivamento de denúncia contra Azeredo
- Coordenador de Azeredo diz que caixa 2 é "segredo de tesoureiro"
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar