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Brasil
23/11/2007 - 07h28

"PAC da Defesa" dará ao Brasil posição de "protagonista", diz Jobim

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FÁBIO AMATO
da Agência Folha, em São José dos Campos

O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse ontem que o chamado "PAC da Defesa", que prevê investimentos visando a modernização das Forças Armadas, tem como objetivo garantir a posição de "protagonista" do Brasil na América do Sul.

De acordo com Jobim, o governo não pretende "reaparelhar", mas sim "aparelhar" Marinha, Exército e Aeronáutica. Ele negou, porém, que os recentes investimentos da vizinha Venezuela em novos armamentos tenham influenciado na criação do plano.

Jobim ainda informou que o governo brasileiro irá propor às nações vizinhas a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa. O ministro não deu mais detalhes da idéia. Disse apenas que visitará os países a partir de 2008, a começar pelo Chile.

Quando questionado sobre a existência de preocupações quanto ao poderio militar venezuelano, o ministro respondeu: "Absolutamente".

"Não temos nenhum problema com a Venezuela. A questão da Venezuela não é um problema nosso, é um problema da Venezuela. O nosso problema é estruturar a nossa capacidade dissuasória para dar força ao país como protagonista", declarou Jobim.

"O Brasil tem que se decidir como nação importante na região. Na medida em que se decide que é uma nação que tem função como protagonista na região, é evidente que nós temos que ter a possibilidade de, por exemplo, estarmos no Haiti [o país lidera, desde 2004, a missão de paz da ONU naquele país]. Isso faz parte de um país que se preocupa com a região."

Jobim fez as declarações durante passagem pela Embraer, em São José dos Campos (91 km de São Paulo). Ele começou ontem uma agenda de dois dias de visita a empresas do setor de defesa em SP e MG.

Participam ainda o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), além de um grupo de congressistas. O objetivo é "examinar o potencial do setor e suas dificuldades", para formular as estratégias do plano nacional de defesa anunciado pelo presidente Lula no início de setembro.

Em depoimento sigiloso a deputados em outubro, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, informou que o país deverá cair de 3º para 4º entre os países sul-americanos com maior frota de caças devido à compra de novos Sukhois pela Venezuela.

Sobre a retomada do programa FX, que prevê a compra de novos caças pelo governo brasileiro, Jobim disse que isso será decidido até março de 2008. Mas afirmou que só haverá acordo se a fabricante escolhida aceitar transferir toda a tecnologia dos equipamentos.

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