Governador tucano defende cobrança da CPMF e expõe divisão do PSDB
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A convenção do PSDB mostrou nesta sexta-feira a divisão do partido em relação à proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. Na mais enfática defesa da manutenção do "imposto do cheque", o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fez duras críticas à postura dos senadores tucanos contrários à matéria.
Por outro lado, lideranças do PSDB --como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso-- afirmaram que o governo não ofereceu concessões suficientes para que os tucanos aprovem a prorrogação.
"Você tem cinco governadores defendendo a manutenção da CPMF e a bancada do PSDB [no Senado] faz ouvido de mercador para isso. Estamos diante de um impasse grave para nos organizar", disse Cunha Lima. O governador afirmou que seria uma "incoerência" o PSDB criticar a prorrogação da CPMF já que foi o próprio partido criou o "imposto do cheque" na gestão FHC.
"A minha posição é algo que não pode faltar ao PSDB: coerência. Se o Alckmin tivesse sido eleito, essa discussão da CPMF não estaria existindo [no partido]. Nós criamos o imposto, não fica bem adotar uma posição contraditória", enfatizou o governador.
O ex-presidente FHC, por sua vez, minimizou o impasse no partido sobre a prorrogação da CPMF ao afirmar que o governo federal não cedeu aos apelos de redução da carga tributária --por isso não terá o apoio dos tucanos na votação. "Não há divisão nenhuma. Os governadores têm seus interesses, mas a condução [da votação] será dada pelos líderes políticos. A posição da bancada é clara de que há excesso de arrecadação. O governo foi imune ao não atender o pedido do PSDB e não ceder nada", disse.
Na opinião do ex-presidente, o governo federal defende a prorrogação da CPMF sem priorizar os gastos na área de saúde. "O governo quer só dinheiro por mais dinheiro, aí eu não vejo razão para se prorrogar. O que precisa agora é melhorar a qualidade do gasto", defendeu.
Em um tom mais ameno na defesa do "imposto do cheque", o governador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que ainda há margem de negociação com o Palácio do Planalto para que os tucanos decidam sobre a prorrogação da CPMF. "O governo tem que meter a mão no bolso, o que não fez até agora. Se estiver disposto a isso, o PSDB tem por obrigação discuti-la. Eu acho que o PSDB não tem que aceitar o patrulhamento. Se é bom para o país, vamos discutir."
Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que não há possibilidade dos 13 senadores tucanos votarem a favor da manutenção da CPMF. "Os governadores decidem onde se faz viadutos, e os senadores como votam a CPMF. Não houve pressão de governador nenhum a nós, deveriam ter feito isso antes."
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Azeredo se diz inocente e afirma estranhar denúncia perto da votação da CPMF
- Governo deve adiar envio da reforma tributária para garantir votação da CPMF
- Viana diz que decisão do PTB não afeta CPMF porque partido continua na base
- Senadores do DEM e PSDB vão definir estratégia para acelerar votação da CPMF
- Tião Viana descarta convocação extraordinária para votar CPMF
Especial


avalie fechar
GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
avalie fechar
avalie fechar