Brasil
23/11/2007 - 14h03

FHC critica "elitezinha" e prega reconciliação com o povo para retornar ao poder

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Com discursos inflamados contra o governo federal, o PSDB elegeu nesta sexta-feira a nova Executiva Nacional do partido --que terá como seu presidente o senador Sérgio Guerra (PE). Apesar das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos reconheceram que terão que aproximar o discurso do povo brasileiro para que retornem ao poder em 2010 sem o "estigma" de que integram um partido de "elite".

"O objetivo é unir o partido para a vitória. Vitória que vem com voto. De que serviu a vitória do presidente Lula comparada com os ideais que ele pregava? Não será fácil para ninguém. Mas será mais fácil para nós na medida em que tivermos a unidade, que estivermos junto ao povo", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A exemplo de FHC, Guerra admitiu que o partido terá que se aproximar do povo brasileiro para reconquistar as vitórias nas urnas. "Ninguém é salvador da pátria no PSDB. Não queremos ser nem o pai nem a mãe dos pobres. Nós queremos é ser a favor dos pobres", afirmou.

O ex-presidente não poupou críticas ao governo Lula nem ao petista. Apesar de não citar o nome do presidente no discurso, FHC ironizou de forma indireta a baixa escolaridade de Lula ao rebater as acusações de que o PSDB é um partido de elite.

"Aqui [no PSDB] há acadêmicos, e não temos vergonha disso. [...] Faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. É por isso que em Minas Gerais o ensino passou para nove anos, e não quatro. Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria."

FHC disse que uma "elitezinha apressada se abotoou no poder", numa referência ao PT. "Somos gente que estuda e trabalha. Trabalha e estuda."

Assim como o ex-presidente, o governador José Serra (SP) disse não acreditar no "estigma" de que o PSDB elabora suas políticas voltado para as elites brasileiras. "Em São Paulo, fui eleito e ganhei em todas as regiões e estratos sociais. Minas teve perfil semelhante. O PSDB não é partido da elite. E como foi dito, é de gente que trabalha e estuda. Estuda e trabalha."

Na opinião de FHC, "a nova força" política do país organizada pelos tucanos só vai sair vencedora nas urnas se "além da unidade for capaz de falar com o povo brasileiro". FHC reconheceu, também, que o PSDB terá que fechar um discurso único para convencer os eleitores a migrarem para o partido.

Guerra, por sua vez, direcionou suas críticas ao que chamou de "mudança de postura" do PT antes e depois de assumir a Presidência da República. "Durante muito tempo, o partido [PT] iniciou uma luta, organizou sindicatos, assumiu um compromisso social. Mas ao assumir o governo, rasgou seus compromissos e descumpriu seu programa para se transformar numa força de atraso e clientelismo", afirmou o novo presidente do PSDB.

Executiva

Além de Guerra, o PSDB também elegeu a Executiva Nacional da legenda nesta sexta-feira que será composta pela senadora Marisa Serrano (1ª vice-presidente), Eduardo Jorge (vice-presidente executivo), Márcio Fortes (tesoureiro) e Rodrigo de Castro (secretário-geral), entre outros.

Os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Paulo Renato Souza (PSDB-SP) chegaram a ser cotados para assumirem vice-presidências da legenda, mas acabaram substituídos nas disputas internas do partido. A bancada do PSDB no Senado reivindicou uma vaga no comando partidário, que acabou preenchida por Serrano.

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